Ataque complexo envolveu ferramenta adulterada e credenciais comprometidas em equipe da corretora

Hackers usaram uma falsa entrevista de emprego e uma ferramenta interna de IA adulterada para invadir a Binance e roubar US$ 6,3 bilhões em criptomoedas.
PARIS/NOVA YORK – A Binance informou que hackers fizeram uso de uma falsa entrevista de emprego e uma ferramenta interna de inteligência artificial adulterada para comprometer computadores e obter controle sobre carteiras digitais da empresa. O ataque culminou no roubo de US$ 6,3 bilhões em criptomoedas, registrado no dia 29 de outubro, o maior da história para uma corretora do setor.
De acordo com o relatório inicial divulgado pela Binance, a operação começou em junho, quando um funcionário da equipe de desenvolvimento de carteiras baixou uma ferramenta de programação com código adulterado. Embora o problema tenha sido detectado e o dispositivo substituído, as funções do funcionário e de outros membros da equipe permaneceram vulneráveis.
Em setembro, um segundo engenheiro de software, que buscava uma vaga de emprego, participou de uma entrevista virtual para uma empresa fictícia e baixou um repositório de código malicioso em seu computador, sem saber da fraude.
No dia 20 de outubro, o invasor utilizou o computador comprometido e a ferramenta interna de IA para obter controle dos sistemas de dois desenvolvedores da equipe. Nove dias depois, com credenciais roubadas, foi executado um script malicioso que resultou no ataque e na retirada das criptomoedas.
A Binance reconheceu a falha e pediu desculpas aos usuários e parceiros, informando que está reembolsando integralmente os clientes afetados. A corretora anunciou também um aumento nos investimentos em tecnologias de detecção baseadas em inteligência artificial e a criação de um fundo para pesquisa em segurança, em colaboração com empresas líderes do setor.
A polícia federal dos Estados Unidos (FBI) atribuiu o ataque a um grupo de hackers da Coreia do Norte, acusação que o país asiático rejeita. O caso evidencia a complexidade das ameaças digitais no mercado de criptomoedas e reforça a necessidade de aprimoramento constante das defesas cibernéticas.










