Especialistas divergem sobre cobertura de apólices para ameaças envolvendo IA

Líderes do setor de seguros apresentam visões divergentes sobre quais apólices devem cobrir riscos da inteligência artificial, durante a Cúpula de Risco Digital da NetDiligence, nos EUA.
A Cúpula de Risco Digital da NetDiligence, realizada em 3 de outubro na Filadélfia (EUA), reuniu líderes do setor de seguros para debater a responsabilidade sobre riscos relacionados à inteligência artificial (IA). O painel revelou divergências sobre qual tipo de apólice deve cobrir essas ameaças, especialmente com o uso crescente da IA em ataques cibernéticos.
Gail Arkin, vice-presidente sênior e diretora jurídica da Berkley Cyber Risk Solutions, afirmou que os riscos vão além da dimensão tecnológica e cibernética, destacando questões de responsabilidade civil de diretores e executivos. Segundo ela, a cobertura tradicional para riscos digitais não aborda situações como o uso indevido de dados ou vieses embutidos em programas, levando conselhos de administração a criar políticas específicas para IA.
Tim Nazzaro, gerente global de produtos digitais da Hartford Steam Boiler, categorizou os riscos da IA em três grupos: vazamento de dados pessoais, que deve ser coberto por apólices de segurança eletrônica; discriminação em práticas trabalhistas, que entraria na responsabilidade civil; e riscos novos sem cobertura clara, para os quais é necessária avaliação detalhada antes de ampliar apólices cibernéticas.
Danielle Roth, líder de sinistros cibernéticos na Axa XL para a América do Norte, destacou a importância de analisar caso a caso a cobertura, considerando quem é o segurado e a natureza do sinistro, já que o uso da IA pode ser difícil de comprovar em incidentes.
Michael Brunetti, vice-presidente de resposta a incidentes da MOXFIVE, observou o aumento dos ataques cibernéticos desde julho, com uso de IA para acelerar análise de dados roubados, elaboração de mensagens de extorsão mais persuasivas e criação rápida de perfis de executivos, ampliando o impacto desses ataques.
O debate evidencia que o setor de seguros busca adaptar-se a um cenário em transformação, com novos riscos emergindo da incorporação da IA na atividade empresarial e nas ameaças cibernéticas, exigindo revisão das coberturas e das práticas de subscrição.










