Comitê norueguês avalia indicações com atenção à pressão do presidente americano

Especialistas avaliam que Donald Trump não será laureado com o Nobel da Paz em 2024 devido ao conflito com o Irã, mas sua pressão deve afetar a escolha do comitê norueguês.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não deve receber o Prêmio Nobel da Paz em 2024, segundo especialistas que analisam o contexto político atual. O envolvimento dos EUA em conflito com o Irã é apontado como um fator decisivo para essa avaliação. Apesar disso, a influência de Trump continuará presente na escolha do comitê norueguês, que tem demonstrado cautela para evitar pressões políticas na decisão.
Pressão e influência na escolha do laureado
O Comitê Nobel da Noruega, composto por cinco membros, tem considerado atentamente o cenário internacional e as repercussões políticas ao selecionar o vencedor. Após a polêmica envolvendo a venezuelana María Corina Machado no ano anterior, que entregou simbolicamente sua medalha a Trump em busca de apoio para a causa venezuelana, o comitê busca evitar escolhas que possam ser alvo de pressões externas.
Especialistas sugerem que o prêmio pode ser concedido a figuras ou instituições que representem um consenso mais amplo, como o papa Leão, conhecido por seus apelos à paz e diálogo; a Corte Internacional de Justiça, que promove a resolução pacífica de disputas; ou organizações humanitárias que atuam em zonas de conflito.
Contexto político e possíveis laureados
O papa Leão tem se destacado por suas críticas à guerra e defesa dos direitos humanos, o que pode justificar seu nome entre os indicados. A italiana Francesca Albanese, relatora especial da ONU para os Territórios Palestinos Ocupados, também é cogitada, apesar das críticas que recebe de países como os Estados Unidos e Israel.
Outra possibilidade é o reconhecimento de grupos humanitários, como as Salas de Resposta a Emergências do Sudão, que prestam assistência durante conflitos civis. O comitê também enfrenta pressão para reafirmar valores da democracia liberal, do direito internacional e dos direitos humanos diante dos desafios impostos por Trump à ordem global.
Indicações e expectativas
Líderes do Camboja, Israel e Paquistão indicaram Donald Trump para o prêmio, mas suas chances são consideradas reduzidas devido ao contexto de guerra e tensões internacionais. A decisão final será divulgada em 9 de outubro.
A jornalista e ganhadora do Nobel da Paz Maria Ressa destacou a importância de princípios firmes frente à pressão de figuras políticas, afirmando que “os valentões não mandam no mundo” e que o poder não justifica tudo.
O comitê norueguês, portanto, equilibra a necessidade de prestigiar ações que promovam a paz sem ceder a pressões políticas, buscando um laureado que simbolize o respeito à ordem internacional e à resolução pacífica de conflitos.










