Redução do engajamento americano sob Trump facilita ações chinesas em agências internacionais

Com a diminuição do envolvimento dos Estados Unidos na ONU durante o governo Trump, a China ampliou sua presença e influência em agências internacionais, promovendo uma redistribuição de poder no organismo global.
O cenário diplomático na Organização das Nações Unidas (ONU) tem apresentado mudanças relevantes nos últimos anos, principalmente com a redução do engajamento dos Estados Unidos durante a gestão do ex-presidente Donald Trump. Esse vácuo abriu espaço para que a China ampliasse sua influência dentro da organização, especialmente em agências menos evidentes ao público geral.
Pequim tem ampliado o número de funcionários no sistema da ONU em cerca de um terço desde antes da pandemia, alcançando 1.641 colaboradores. A estratégia chinesa inclui oferecer softwares, sistemas de navegação e recursos financeiros em troca de maior participação na definição de regras globais, atuando por meio de nomeações e parcerias em conselhos e comitês.
A disputa silenciosa pela influência ocorre em áreas sensíveis e estratégicas, como a inteligência artificial, tema de debate global sobre o equilíbrio entre liberdade e regulação, além do comércio internacional, ciência climática e regulação nuclear. Na Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), tradicionalmente influenciada pelos Estados Unidos, a China tem consolidado sua presença por meio de nomeações e projetos técnicos.
O embaixador chinês junto à ONU, Fu Cong, afirmou que a China não busca dominar a organização, mas valoriza o aumento da atenção às suas posições. Por outro lado, representantes dos Estados Unidos têm criticado a ONU e sinalizado que o espaço deixado pode ser ocupado por Pequim, reforçando a preocupação com a redistribuição do poder global.
Esse movimento da China ocorre em paralelo à política de cortes de contribuições dos EUA e retiradas de diversas agências internacionais sob Trump, incluindo a Organização Mundial da Saúde (OMS). A situação evidencia uma transformação na dinâmica das relações multilaterais, com impactos potenciais na governança global e na definição de normas internacionais.









