Banqueiro, preso preventivamente, enfrenta investigação sobre articulação para evitar liquidação do banco

Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, depõe à Polícia Federal em inquérito que investiga fraudes e articulação com ex-diretores do Banco Central para evitar liquidação do banco.
Daniel Vorcaro, banqueiro do Banco Master, prestou depoimento à Polícia Federal nesta quinta-feira (27) por videoconferência, diretamente da carceragem do 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como “Papudinha”, onde está preso preventivamente desde junho. O depoimento, esperado para as 10 horas, ocorre no âmbito do inquérito que investiga supostas fraudes cometidas pelo Banco Master e o envolvimento de Vorcaro na articulação para impedir a liquidação da instituição financeira.
A audiência foi adiada na semana anterior a pedido da defesa, que alegou não ter tido acesso completo aos autos, e marca a primeira oitiva do banqueiro com sua nova equipe de defesa, agora contando com o criminalista Daniel Bialski ao lado do advogado Sérgio Leonardo, amigo pessoal de Vorcaro.
Investigadores rejeitaram duas propostas de delação premiada apresentadas pelo banqueiro, classificando os anexos como insuficientes e sem provas concretas para avançar nas apurações. A expectativa é que Vorcaro esclareça sua articulação junto a ex-diretores do Banco Central, que, segundo a PF, atuaram como consultores e até empregados do banqueiro, orientando-o sobre como responder aos questionamentos da autarquia.
A liquidação extrajudicial do Banco Master, decretada em novembro de 2025, foi motivada pelo comprometimento da situação econômico-financeira da instituição, deterioração da liquidez e infrações às normas bancárias, conforme ato assinado pelo então presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo. Na ocasião, Vorcaro teve sua prisão preventiva decretada sob suspeita de tentativa de fuga do país, acusação que ele nega.
Investigação em xeque
O foco das investigações está na possível conivência e pressão exercida por Vorcaro sobre ex-diretores do Banco Central para evitar a liquidação do banco, o que se configura como grave interferência nos órgãos reguladores. A operação expõe a fragilidade e os riscos de influência política e financeira dentro do sistema bancário brasileiro.
Desdobramentos políticos e jurídicos
O caso reforça o desgaste das instituições diante do público e aumenta a pressão por transparência e rigor no combate a fraudes financeiras. O resultado do depoimento de Vorcaro pode desencadear novas medidas judiciais e aprofundar o escrutínio sobre as relações entre grandes bancos e autoridades financeiras. A postura firme da Polícia Federal, ao rejeitar delações insuficientes, demonstra a busca por provas robustas para responsabilizações efetivas.









