Guarda Revolucionária acusa Washington de obstruir negociações estratégicas no Estreito de Ormuz

Irã afirma ter fechado acordo com Omã para dividir receitas do Estreito de Ormuz, mas acusa EUA de bloquear avanço e manter sanções que emperram retomada da navegação.
O Exército do Irã anunciou ter fechado um acordo com Omã para a divisão das receitas provenientes do Estreito de Ormuz, via marítima vital para o comércio global de petróleo e gás natural. Hossein Mohebbi, porta-voz da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), afirmou que um pacto foi firmado sobre a participação dos dois países nas águas da região, mas acusou abertamente os Estados Unidos de obstruírem o avanço das negociações, sem detalhar as ações específicas de Washington.
EUA emperram retomada da navegação no Estreito
As declarações do Irã vão além do comunicado oficial dos ministérios das Relações Exteriores do Irã e de Omã, que mencionaram apenas uma estrutura provisória para retomar a navegação no local, sem confirmar acordo definitivo ou tarifas. A persistente pressão norte-americana, que inclui sanções econômicas e bloqueios navais aos portos iranianos, mantém o Estreito de Ormuz praticamente fechado desde o início do conflito entre EUA, Israel e Irã, em fevereiro.
Teerã condiciona a normalização do tráfego à cessação dessas medidas, mas Washington não sinalizou mudanças, gerando impasse. O bloqueio afeta diretamente cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito consumidos mundialmente, tornando o cenário uma arena de maior tensão geopolítica.
Disputa e cobrança de taxas mantêm instabilidade
O acordo temporário de 60 dias para facilitar a navegação no Estreito expirou recentemente e foi marcado por violações e impasses, reflexo da crescente rivalidade entre as potências envolvidas. Além disso, o Irã começou a cobrar taxas de trânsito de embarcações, classificadas como tarifas por serviços prestados, medida que Omã rejeita publicamente, embora admita reservadamente a cobrança em contatos com autoridades europeias.
Enquanto isso, milhões de barris de petróleo continuam a passar pela região, apesar dos ataques e da insegurança gerada pela guerra. O conflito no Estreito de Ormuz destaca a fragilidade da ordem internacional e a disputa por influência no Oriente Médio, com o Irã tentando ampliar seu controle estratégico diante da resistência americana.








