Candidato à Presidência pelo Missão propõe revisão de tratados internacionais para armar o país com armas atômicas

Renan Santos, candidato à Presidência, desafia Constituição e tratados internacionais ao defender desenvolvimento de armas nucleares para o Brasil se tornar potência global.
Renan Santos, candidato à Presidência da República pelo partido Missão, reacendeu a polêmica sobre o Brasil desenvolver armas nucleares durante sabatina na TV Globo em 26 de agosto de 2026. Segundo ele, para o país se tornar uma das cinco maiores potências globais nos próximos 30 anos, será indispensável possuir armas atômicas como forma de garantir soberania e força de negociação internacional.
O presidenciável declarou categoricamente que “uma nação que será uma das mais importantes do mundo nos próximos 30 anos precisa ter armas nucleares”, assumindo que o tema deve ser pauta futura, mesmo que isso implique rever compromissos internacionais vigentes.
Mas a defesa de Renan esbarra em dois pilares jurídicos firmes: primeiro, a Constituição Federal de 1988, que determina no artigo 21, inciso XXIII, que toda atividade nuclear no Brasil deve ter finalidade estritamente pacífica e sob monopólio da União, exigindo ainda aprovação do Congresso Nacional para qualquer investimento no setor. Segundo, a assinatura e ratificação de tratados internacionais como o Tratado sobre a Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), do qual o Brasil é parte desde 1998, e o Tratado de Tlatelolco, que declara a América Latina e Caribe como zona livre de armas nucleares.
Esses acordos impedem o país de produzir, possuir, testar ou adquirir armas atômicas, reforçando a postura pacifista brasileira no campo nuclear desde o fim do programa militar nos anos 1990.
Renan reconhece que a saída desses tratados não é uma medida imediata, mas defende abrir o debate para fortalecer a posição do Brasil no cenário global. Ele também cita a Coreia do Norte como exemplo de país que, ao se armar nuclearmente, elevou seu prestígio internacional, o que reforça sua tese de que o Brasil precisa se blindar para não ser o “eterno Zé Carioca” do mundo.
Além da dimensão geopolítica, o candidato relaciona a proposta à proteção de recursos estratégicos nacionais, como as reservas de terras raras, e à necessidade de aumentar o poder de barganha frente a potências como Estados Unidos e China.
Apesar da proposta audaciosa, a legislação e os compromissos que o Brasil firmou exigem mudanças profundas, incluindo emenda constitucional e renegociação de tratados internacionais, passos que demandariam amplo debate e consenso político.
O país mantém capacidade nuclear em setores pacíficos, como energia, medicina, indústria e defesa, exemplificado pelo projeto de submarino de propulsão nuclear da Marinha, que não envolve armas atômicas.
Renan insiste na ruptura para fortalecer soberania
O candidato aposta que a discussão sobre armas nucleares vai além da técnica e da legislação: é uma questão de status e soberania nacional.
Apesar dos entraves legais, ele defende que o Brasil não pode mais se contentar em ser coadjuvante nas decisões globais e precisa se armar para garantir respeito e proteção de seus interesses estratégicos.
Contexto de tensão e desafio ao status quo
A proposta de Renan Santos lança um desafio direto ao establishment político e jurídico brasileiro, que há décadas mantém o país alinhado à não proliferação e ao uso pacífico da tecnologia nuclear.
O tema promete acirrar debates nas eleições de 2026, colocando em evidência as contradições entre desejo de protagonismo internacional e compromissos firmados pelo país.
Para o eleitor e o observador político, a questão é clara: até que ponto o Brasil está disposto a romper normas para tentar se afirmar como potência e quais seriam os custos dessa decisão para a estabilidade regional e global.








