Pastor nega envolvimento em pirâmide e diz que aporte foi para salvar sua editora
O pastor Silas Malafaia, fundador da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, confirmou ter recebido um investimento de R$ 30 milhões do empresário Francisley Valdevino da Silva, conhecido como “Sheik do Bitcoin”. O aporte foi direcionado à Central Gospel, editora de livros ligada ao líder religioso, que enfrentava processo de recuperação judicial desde 2019.

Em depoimento à Polícia Federal, uma testemunha-chave do processo relatou que Malafaia e Francisley chegaram a criar a Alvox Gospel Livros Marketing Direto, empresa aberta em 2021 e encerrada em 2022, com foco em marketing multinível e venda de produtos evangélicos. Segundo a versão apresentada, a estratégia teria como objetivo “esquivar” a relação direta com a Central Gospel.
Defesa do pastor: “Não tenho nada a ver com criptomoedas”
À imprensa, Malafaia reconheceu a parceria, mas insistiu que não possui ligação com o esquema de pirâmide financeira que levou o Sheik do Bitcoin a ser condenado a 56 anos de prisão pela Justiça Federal do Paraná.
“O que que eu tenho com os crimes de bitcoin, de moeda, de criptomoeda dele? Ele botou dinheiro na minha editora para me ajudar no momento mais difícil da recuperação. Não fiz propaganda nenhuma para ninguém da minha igreja”, afirmou.
O pastor explicou que Francis era o gestor da Alvox e que sua participação foi breve: “Eu saí da empresa em março de 2022. Quando começaram os rumores de investigação, caí fora. Não havia denúncia nenhuma do Ministério Público ou Polícia Federal contra ele quando fomos sócios.”
O depoimento que detalha a sociedade
O empresário Davi Zocal, testemunha do processo, declarou que acompanhou o início da relação entre os dois. Segundo ele, Malafaia e Francis combinaram a criação de uma empresa alternativa para não comprometer a imagem do pastor.
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“Silas falou: ‘Cara, vamos fazer uma empresa com outro nome para não ferrar para nós, né?’ Então abriram a Alvox, mas o foco do Malafaia… O Francis foi sócio direto dele na principal empresa, mas foi só para dar uma esquivada”, disse em depoimento prestado em agosto de 2022.
Quem é o Sheik do Bitcoin
Francisley Valdevino da Silva, apelidado de Sheik do Bitcoin, era dono da Rental Coins e de outras cerca de 100 empresas, com movimentação estimada em R$ 4 bilhões entre 2018 e 2022. Ele atraía milhares de investidores com a promessa de altos retornos em criptomoedas.
O esquema teria lesado 15 mil pessoas, entre elas a empresária Sasha Meneghel, filha da apresentadora Xuxa. A Polícia Federal desarticulou a operação em outubro de 2022, meses após o fim da sociedade com Malafaia.
Malafaia tenta se desvincular da polêmica
Apesar da insistência em ressaltar sua inocência, a revelação do aporte milionário aumenta as pressões sobre a imagem do pastor, um dos mais influentes líderes evangélicos do país.
“Querem me acusar de quê? Vão prender os 100 caras que tinham empresas com ele?”, reagiu Malafaia.
O caso, no entanto, reforça os questionamentos sobre a relação entre líderes religiosos e empresários envolvidos em esquemas fraudulentos, em especial quando há valores milionários e impacto direto em fiéis que veem nessas figuras exemplos de credibilidade.
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