Candidato do Missão insiste que cidadão tem 'dever' de não cumprir ordens ilegítimas

Renan Santos, candidato do Missão, afirma que não desrespeitará o STF, mas defende o descumprimento de decisões que considerar ilegais, apontando um desafio direto à autoridade do tribunal.
Durante a sabatina na TV Globo, o candidato à Presidência da República pelo partido Missão, Renan Santos, fez questão de deixar claro um posicionamento que desafia frontalmente a autoridade do Supremo Tribunal Federal (STF). Apesar de assegurar que não vai “sair desrespeitando” todas as decisões do STF, Renan defendeu que decisões que ele considere “ilegais” devem ser descumpridas — e que o cidadão tem até o “dever” de não acatá-las.
“Não é que eu falei que vou sair desrespeitando todas as decisões do STF, que isso é um absurdo”, afirmou. Porém, ele foi firme ao acrescentar: “Qualquer cidadão, diante de uma decisão ilegal, ele pode não cumprir. Na verdade, ele tem o dever de não cumprir. Decisão ilegal não se cumpre.”
Essa declaração acende um sinal de alerta sobre a disposição do candidato frente às instituições democráticas e o respeito ao sistema judicial, num momento em que o país atravessa intensa polarização política e judicial, com o STF no centro de diversas controvérsias.
Além desse posicionamento, Renan também defendeu a necessidade de avançar em uma nova reforma da Previdência, prometendo que a economia resultante será direcionada a investimentos em infraestrutura — tema sensível que pode impactar a base econômica do país.
Em um tom que mostra ambição estratégica, ele ainda afirmou que o Brasil precisará discutir armas nucleares se quiser estar entre as cinco maiores nações do mundo, sinalizando uma agenda política e de defesa que foge dos debates tradicionais.
Renan impõe embate institucional
O discurso do candidato do Missão aponta para uma linha política que pode tensionar ainda mais as relações entre Executivo e Judiciário, em especial o STF, numa campanha que já se desenha como palco de intensos embates institucionais.
A defesa do descumprimento seletivo de decisões judiciais abre caminho para questionamentos sobre o respeito ao Estado de Direito e o equilíbrio entre os Poderes, temas que serão cruciais para o debate eleitoral e a estabilidade política do país.
Em um cenário em que o Supremo tem sido alvo frequente de críticas e pressões, a fala de Renan pode alimentar discursos de contestação e polarização, colocando sob risco a credibilidade das instituições brasileiras.









