Filho de Lula é alvo de três inquéritos da PF e ainda mantém acesso ao centro do poder

Sob mira da Polícia Federal, Lulinha visitou o Palácio do Planalto 18 vezes em menos de dois anos, enquanto é investigado por corrupção e tráfico de influência envolvendo contratos bilionários.
O empresário Fábio Luis Lula da Silva, conhecido como Lulinha e filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), visitou o Palácio do Planalto dezoito vezes entre junho de 2023 e janeiro de 2025. Essas visitas ocorrem em meio a três inquéritos da Polícia Federal que investigam Lulinha por suspeitas de corrupção e tráfico de influência envolvendo contratos públicos bilionários.
A informação, obtida pelo jornal O Globo via Lei de Acesso à Informação, demonstra o acesso frequente do investigado ao centro do poder federal, mesmo sob investigação aberta no Supremo Tribunal Federal (STF). O governo não especificou quais áreas do Planalto foram acessadas por Lulinha durante essas visitas.
Defendendo o investigado, o advogado Marco Aurélio de Carvalho afirma que as visitas não configuram irregularidade, alegando que Lulinha não participou de reuniões oficiais no Palácio, limitando-se a visitar seu pai, o presidente. Contudo, os fatos expõem uma tensão clara entre a investigação em curso e a normalidade com que Lulinha circula no Planalto.
Em julho, o ministro do STF André Mendonça autorizou um inquérito para apurar o envolvimento de Lulinha em tráfico de influência na 3Structure IT Ltda, empresa de tecnologia com contratos de R$ 81 milhões com o governo federal, dos quais R$ 46 milhões já foram pagos. Recentemente, o ministro Flávio Dino autorizou outro inquérito sobre o mesmo tema, reforçando o foco das investigações na relação entre Lulinha, a empresa e órgãos públicos como a Dataprev.
Além disso, Roberta Luchsinger, amiga próxima de Lulinha, figura em relatório sigiloso da PF por ter recebido um pagamento de R$ 150 mil do empresário. Ambos são investigados por suspeitas ligadas ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) e ao favorecimento de uma empresa de canabidiol junto ao Ministério da Saúde.
Lulinha mantém influência apesar das investigações
O padrão das visitas e a continuidade dos contratos públicos sob suspeita indicam que, mesmo diante de investigações pesadas, Lulinha segue tendo acesso e influência direta no governo federal. A situação reforça o desgaste na imagem do Palácio do Planalto e levanta dúvidas sobre a efetividade das investigações e a separação entre interesse privado e público.
Enquanto isso, a defesa insiste na inocência e na ausência de participação formal de Lulinha em decisões ou reuniões governamentais, tentando minimizar os impactos políticos dessas revelações.
Este cenário evidencia o embate entre o combate à corrupção e as práticas de influência política dentro do núcleo do poder, com reflexos diretos na credibilidade do governo Lula.








