Candidato ao governo de SP diz que presidência de Flávio traria instabilidade institucional e social

Fernando Haddad, candidato do PT ao governo de São Paulo, classificou Flávio Bolsonaro como um risco grave para o país, rejeitando a possibilidade de sua presidência e alertando para ameaças institucionais, sociais e econômicas.
Fernando Haddad, ex-ministro da Fazenda e candidato ao governo de São Paulo pelo PT, não poupou críticas a Flávio Bolsonaro nesta quarta-feira (19) durante sabatina dos veículos O GLOBO, CBN e Valor Econômico. Na avaliação do petista, a candidatura do filho de Jair Bolsonaro à presidência da República representa um “grave risco institucional” para o Brasil, ameaçando a estabilidade econômica, social e a imagem internacional do país. “Eu não posso conceber a hipótese de ele assumir a presidência da República”, afirmou Haddad, que conhece de perto o adversário e alerta para o perigo que sua liderança representa.
O candidato ressaltou que sua entrada na disputa estadual é parte de um projeto articulado, que busca conscientizar a população sobre os desafios políticos em São Paulo, foco fundamental para o futuro do país. Haddad reconhece a dificuldade de vencer a eleição no estado, onde o atual governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) lidera as pesquisas com larga vantagem, apoiado por um bloco que une bolsonarismo e centrão. Diferentemente do cenário nacional, onde Flávio Bolsonaro está isolado politicamente, em São Paulo o adversário conta com ampla base de apoio.
Durante a sabatina de 1h30, Haddad expôs críticas ao modelo de privatização imposto no estado, citando a Sabesp e concessões ferroviárias, além de abordar a crescente insegurança pública, com destaque para o aumento dos casos de feminicídio. O petista questionou a falta de diálogo do governo estadual com prefeitos e o desprezo pelo apoio federal. Na educação, contestou o modelo digitalizado e criticou o tratamento dado aos servidores públicos.
A sabatina é a primeira de uma série promovida por O GLOBO, CBN e Valor Econômico com os candidatos ao governo paulista. O próximo convidado será o atual governador Tarcísio de Freitas, que responderá às mesmas perguntas nesta quinta-feira (20), às 10h30, conforme critério baseado no desempenho nas pesquisas eleitorais.
Haddad expõe tensão entre projetos estadual e nacional
No embate carregado de críticas diretas, Haddad deixa claro que sua candidatura visa fortalecer a oposição no maior colégio eleitoral do país, tentando reverter a hegemonia do bolsonarismo local. Ele aposta que sua presença no estado será benéfica ao projeto nacional do PT e de Lula, que enfrenta o desafio de conter a ascensão de Flávio Bolsonaro, visto como figura isolada e perigosa politicamente. Essa tensão revela os duros embates que marcarão o tabuleiro eleitoral até 2026, com forças conservadoras unidas diante da resistência petista.
Flávio Bolsonaro: ameaça institucional para Haddad
Para Haddad, o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro representa um problema multifacetado, que ultrapassa a esfera política e atinge os pilares da democracia brasileira. Ele acusa Flávio de comprometer a estabilidade econômica, social e a projeção internacional do país, numa crítica que reforça o tom contundente do petista contra o bolsonarismo. A afirmação coloca em pauta a polarização extrema que marca o cenário eleitoral e as crescentes preocupações com o futuro institucional do Brasil.
Desafios e estratégias do PT em São Paulo
Consciente da dificuldade em São Paulo, Haddad destaca a importância de levar conhecimento e debate ao eleitorado, tratando questões concretas e resistindo ao bloco conservador que apoia Tarcísio. Seu discurso foca em contrapor a privatização de serviços públicos, a violência crescente e os problemas na educação, buscando ampliar sua base e desconstruir a narrativa adversária. Este movimento será essencial para tentar reverter o quadro desfavorável e fortalecer o PT no maior estado do país.








