IPCA da capital paranaense cai 0,21%, contrastando com alta nacional e reajuste recorde na conta de luz

Curitiba surpreende com deflação de 0,21% em julho, enquanto Brasil registra alta de 0,07%. Energia elétrica, com reajuste de quase 20%, pressionou o bolso dos curitibanos, mas não evitou queda geral nos preços.
Curitiba surpreendeu o mercado ao registrar a menor inflação entre as capitais da região Sul em julho de 2026, com queda de 0,21% no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), conforme dados divulgados pelo IBGE. O número chama atenção porque ficou abaixo tanto da média nacional, que subiu 0,07%, quanto das demais capitais paranaenses e do Sul do país.
Queda que desafia alta da energia
Mesmo diante de um reajuste absurdo de 19,55% na tarifa de energia elétrica residencial, aplicado em Curitiba desde 24 de junho, os preços na cidade recuaram. A energia, que subiu 3,09% no país, foi o principal vilão da inflação em julho, pressionando o bolso do consumidor. Em Curitiba, contudo, as quedas nos custos de alimentos compensaram essa pressão.
Alimentos puxam deflação
O grupo de Alimentação e bebidas registrou queda de 0,67% no país, com produtos como tomate, batata-inglesa, cenoura e café moído mais baratos em julho. Mesmo com alta do leite longa vida e de algumas frutas, essa redução foi suficiente para derrubar o índice geral na capital paranaense.
Contexto e impacto político
No acumulado do ano, Curitiba apresenta inflação de 2,62%, com 3,05% nos últimos 12 meses, refletindo a persistência da pressão inflacionária no Brasil. A capacidade da capital de conter a alta geral dos preços, mesmo com reajustes tarifários drásticos, mostra um cenário econômico local menos comprometido, mas não livra os consumidores da sensação de aperto, especialmente pela conta de luz.
O resultado do IBGE também revela a disparidade regional na inflação e reforça debates sobre políticas públicas para conter aumentos tarifários e proteger o poder de compra da população, tema que permanece no centro dos embates no Congresso e governos estaduais.
Acompanhamento e repercussão
O levantamento considera famílias com rendas de 1 a 40 salários mínimos, abrangendo ampla faixa de consumidores. Enquanto Curitiba registra essa relativa estabilidade, o Brasil enfrenta um cenário de inflação persistente, com desafios para o governo federal e os estados na gestão das contas públicas e na manutenção da confiança econômica.
A pressão política sobre reajustes de tarifas, sobretudo energia, deve seguir intensa, com debates acalorados entre setores produtivos, consumidores e autoridades nos próximos meses.








