Ministro mira ex-secretário do MA e advogado por reportagens que incomodam Flávio Dino e seu entorno

Alexandre de Moraes ordena nova busca contra ex-secretário do Maranhão, identificado como fonte de reportagens críticas a Flávio Dino. A medida agrava o clima de conflito entre o STF e setores da imprensa investigativa.
O ministro Alexandre de Moraes, uma das figuras mais controversas do Supremo Tribunal Federal, ampliou a pressão sobre o jornalista Luís Pablo e sua fonte, o ex-secretário de Segurança Pública do Maranhão, Raimundo Cutrim. Moraes ordenou uma nova operação de busca e apreensão contra Cutrim, e também contra o advogado do jornalista, em um movimento que evidencia o desgaste entre o STF e a imprensa que investiga autoridades políticas.
A origem da operação está em reportagens contundentes de Pablo que trouxeram à tona o suposto uso irregular de carros oficiais do Tribunal de Justiça do Maranhão por familiares do ministro Flávio Dino, alvo de críticas que incomodam o entorno do ex-governador. A primeira busca contra o próprio jornalista já havia sido autorizada em março por Moraes, sob suspeita de crime de perseguição e conexão com o inquérito das fake news, culminando na apreensão e posterior devolução de equipamentos eletrônicos após extração de dados pela Polícia Federal.
Foi justamente a análise desses dados apreendidos que indicou Cutrim como fonte das reportagens, justificando a nova operação, que tem o aval da PGR e da PF. A defesa, que ainda não teve acesso aos autos sob sigilo, alerta para o risco de exposição da fonte jornalística, uma proteção garantida pela Constituição, e questiona a medida como uma investida contra a liberdade de imprensa.
A assessoria de Flávio Dino nega irregularidade no uso dos veículos, alegando que o carro blindado era cedido pela Secretaria de Segurança do STF, dentro de um acordo institucional. Revelações da investigação apontam ainda para monitoramento clandestino não só do ministro e seus familiares, mas também de sua equipe de segurança, fato que levou a ajustes no esquema de proteção e a pedido de reforço para garantir a integridade do ministro.
Em meio a esse cenário, aliados de Dino afirmam que o próprio carro particular do ministro foi alvo de acompanhamento, além de acusações não confirmadas de pagamento para a publicação das reportagens, que foram negadas veementemente pelo jornalista. O episódio escancara o ambiente pesado e conflituoso entre o Supremo, a Polícia Federal e a imprensa independente, levantando questões sobre o limite do poder estatal e a proteção ao jornalismo investigativo no Brasil atual.
Operação reforça tensão entre STF e mídia
Investigação aponta monitoramento de ministro e familiares
Defesa alerta para risco à proteção constitucional da fonte
Acusações de perseguição e pagamento negadas pelo jornalista
Este embate expõe o desgaste da relação entre o Supremo e a imprensa crítica, representando um capítulo preocupante para a liberdade de expressão e o funcionamento do sistema democrático brasileiro.








