Impacto das políticas de imigração, tarifas e guerra na economia americana à beira das eleições

Os 18 meses do segundo mandato de Trump mostram uma economia que resistiu a choques externos, mas patina em emprego, inflação e promessa de crescimento industrial.
Trump enfrenta economia americana na corda bamba
Os primeiros 18 meses do segundo mandato de Donald Trump foram marcados por uma sucessão de choques econômicos, frutos de suas decisões políticas mais controversas — repressão implacável à imigração, guerras comerciais com aumento de tarifas e um conflito aberto com o Irã que disparou o preço do petróleo e ameaçou cadeias globais de abastecimento.
Apesar da resiliência surpreendente da economia americana diante dessas tempestades, a promessa do presidente de impulsionar empregos, baixar preços e reerguer a indústria parece cada vez mais distante, faltando pouco mais de três meses para as eleições de meio de mandato.
Emprego em queda e envelhecimento: a conta da rigidez política
Os dados do Bureau de Estatísticas do Trabalho evidenciam um retrato preocupante: queda no emprego e redução da força de trabalho desde a volta de Trump, consequências diretas da política dura contra a imigração e das deportações em massa. Somado ao envelhecimento da população nativa, o mercado de trabalho americano encolhe, contrariando o discurso de renovação industrial.
O setor de manufatura, estrela das promessas trumpistas, não só deixou a desejar em geração de empregos como registrou menos postos do que no final da gestão Biden. O investimento em inteligência artificial e centros de dados cria empregos pontuais, mas não compensa o declínio industrial tradicional.
Inflação teimosa, preços altos e promessa não cumprida
Na campanha de 2024, a inflação foi tema central, com a população ainda ressentida pelos impactos da pandemia. Trump prometeu reduzir preços, mas a realidade mostra uma inflação persistente acima da meta de 2% do Federal Reserve, com pressões vindas das tarifas, da alta do petróleo e da demanda crescente pela tecnologia.
A combinação desses fatores fez com que a queda nos preços fosse ilusória. O cenário atual preocupa formuladores de políticas, temendo uma escalada inflacionária que poderia desgastar ainda mais o poder de compra da classe média.
Renda da classe média estagnada e mercado imobiliário inacessível
Apesar da estabilidade do consumo, a renda pessoal disponível ajustada pela inflação estagnou e até recuou recentemente, indicando que os americanos têm menos dinheiro no bolso para gastos essenciais. Trump, que chegou a desprezar legislações para melhorar a acessibilidade à moradia, não enfrentou o problema que pressiona famílias a comprometerem grande parte da renda para ter uma casa.
O mercado imobiliário segue caro, com taxas de hipoteca e seguros em alta, complicando ainda mais o sonho da casa própria para a maioria.
Mercado de ações em alta não traduz vida real
Trump orgulha-se dos recordes do mercado de ações, impulsionados pela explosão do setor de inteligência artificial. Contudo, a valorização do S&P 500, embora consistente, não foge da média histórica dos presidentes recentes e não reflete as dificuldades enfrentadas pela população em geral.
A emissão recorde de títulos para financiar a expansão da IA indica uma economia corporativa sólida, mas não necessariamente um crescimento inclusivo ou sustentável para a população americana.
O cenário político e econômico à beira do pleito
O balanço dos 18 meses do segundo mandato mostra uma economia que sobrevive a choques, mas não cresce como prometido. A estagnação em emprego, renda e inflação desafia Trump a provar que suas políticas podem transformar a vida da classe média americana, enquanto o relógio eleitoral corre.









