Assessora de Arthur Lira, Tuca gerenciava orçamento secreto e virou alvo da PF por suspeita de desvio bilionário

Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, assumiu papel central na distribuição de emendas para o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, e foi afastada após operação da Polícia Federal que investiga uso irregular de verbas parlamentares.
Tuca: o elo oculto entre Valdemar Costa Neto e o orçamento secreto
Mariângela Fialek, mais conhecida como Tuca, virou personagem central no escândalo que abala Brasília. Apontada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal, como a servidora que atuava diretamente em benefício do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, Tuca gerenciava a distribuição das emendas parlamentares, o chamado orçamento secreto, com acesso privilegiado aos ministérios e ao Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE).
Operação da Polícia Federal desvela esquema de direcionamento indevido
Em dezembro do ano passado, a Polícia Federal realizou buscas que culminaram no afastamento de Tuca, sob suspeita de direcionar bilhões de reais em emendas sem critérios técnicos ou transparência, conforme relato de parlamentares e investigação do STF. Documentos revelam que ela enviava planilhas prontas para assinatura, indicando a destinação de R$ 1,125 bilhão, sem identificação clara dos autores ou beneficiários das verbas. A ação expõe a influência espantosa que Valdemar exercia sobre servidores da Câmara para controlar o orçamento público.
Braço direito de Lira, Tuca comandava a logística política das emendas
Embora detentora do cargo formal de assessora parlamentar, Tuca exercia papel de interlocutora direta de Arthur Lira, então presidente da Câmara. Sua palavra tinha peso político em reuniões estratégicas, incluindo encontros no Ministério da Fazenda com técnicos do governo. Circulava com desenvoltura entre ministérios como Cidades, Desenvolvimento Regional, Saúde e Educação, pressionando pela liberação das emendas indicadas pela cúpula do Congresso e do PL.
Deputados divididos entre solidariedade e medo dos desdobramentos
O afastamento de Tuca gerou reação imediata no Congresso. Enquanto a Mesa Diretora da Câmara luta para que ela retorne ao cargo, alegando que sua atuação é técnica e autorizada, deputados temem que o caso escale para uma crise institucional, com a criminalização das emendas parlamentares. Relatos de aliados revelam que Tuca mantinha registros detalhados de suas atividades, aumentando o receio de novas revelações que podem comprometer figuras políticas.
O que está em jogo: o controle do orçamento secreto e o desgaste do Legislativo
O caso Tuca escancara o poder paralelo que líderes do Congresso, especialmente Valdemar Costa Neto, construíram para manipular bilhões em verbas públicas. A investigação no STF e a pressão da Polícia Federal ameaçam desmantelar um sistema que mantém a fisiologia e o toma-lá-dá-cá dentro do Parlamento. O embate entre a transparência e os interesses instalados coloca em xeque a credibilidade das instituições e o futuro das negociações políticas no país.









