Presidente do Senado usa Advocacia-Geral para reagir a bloqueio de verbas do senador petista, tensionando relação com o STF

Davi Alcolumbre articula defesa institucional ao senador Jaques Wagner após bloqueio de verbas pela PF, destacando desgaste entre Senado e STF.
Bancada Alcolumbre assume linha dura para conter avanço da PF
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), decidiu transformar em prioridade institucional a reação à operação da Polícia Federal que atingiu o senador Jaques Wagner (PT-BA). A ofensiva da PF, que culminou no bloqueio de verbas da conta-salário e recursos vinculados ao mandato de Wagner, foi o estopim para que Alcolumbre acionasse a Advocacia-Geral do Senado para apoiar a defesa do parlamentar.
Aliados do presidente do Senado revelam que a medida não é simples apoio a um companheiro de Casa, mas uma resposta direta às decisões do Supremo Tribunal Federal (STF) que autorizaram a operação, afetando a autonomia e a condição parlamentar de Wagner. A percepção é que o Judiciário, ao autorizar bloqueios financeiros, ultrapassa limites institucionais, provocando desgaste na relação entre os Poderes.
Embate claro entre Senado e STF
Alcolumbre não poupou críticas ao STF em seu discurso ao justificar a mobilização da Casa para o caso Wagner. Segundo ele, o Supremo tem restringido a atuação dos senadores, especialmente ao permitir medidas que comprometem a atuação parlamentar, como os bloqueios na conta-salário do senador investigado.
– “Algumas decisões que foram tomadas pelo Judiciário estão diminuindo a condição do mandato de senador”, apontou o presidente do Senado, ressaltando a necessidade de defender as prerrogativas da Casa frente a um Judiciário que, em sua visão, avança sobre a esfera legislativa.
Seleção de casos e apoio seletivo
O movimento de Alcolumbre também tem um componente político evidente. O presidente do Senado destacou que, ao contrário do que ocorre com Wagner, não houve mobilização similar para proteger o presidente do PP, senador Ciro Nogueira, também alvo da PF em investigações relacionadas ao Banco Master. Nogueira, inclusive, não solicitou ajuda da Advocacia-Geral do Senado, segundo interlocutores de Alcolumbre.
Especialistas observam que o eleitorado percebe de forma distinta os dois casos, mas o que chama atenção é a seletividade institucional diante das investidas da PF contra parlamentares ligados a diferentes grupos políticos.
Alcolumbre e seus aliados sob suspeita
Apesar de não ser diretamente implicado nas operações contra o Banco Master, Alcolumbre tem seu entorno na mira de questionamentos. O fundo de pensão da Amapá (Amprev), cujo presidente, Jocildo Silva Lemos, assumiu o comando por “convite” do senador, aplicou R$ 400 milhões em papéis da instituição financeira que posteriormente entrou em liquidação extrajudicial e teve seu dono preso.
O episódio aumenta a pressão sobre o presidente do Senado, que nega qualquer envolvimento com o escândalo financeiro, mas não consegue se distanciar facilmente do rastro das investigações.
Pressão política e desgaste institucional
A iniciativa de Alcolumbre de blindar Wagner simboliza uma tentativa de conter o avanço das investigações da PF que ameaçam figuras centrais no Congresso. Ao mesmo tempo, o atrito aberto com o STF deixa claro que a crise institucional no país não se limita à esfera jurídica, mas envolve jogo político pesado com consequências para a governabilidade e o equilíbrio entre os poderes.
A resposta do Senado a essa crise está longe de ser neutra e pode influenciar o rumo das investigações e a percepção pública sobre a atuação de políticos e instituições no Brasil atual.








