Pesquisa revela papel do lambari-miúdo na mitigação do metano em reservatórios do Paraná

Estudo da Sanepar e UFPR mostra que lambari-miúdo pode reduzir emissão de metano em reservatórios de água no Paraná.
Lambari-miúdo filtra gases do efeito estufa em reservatórios do Paraná
O estudo conduzido pela Sanepar e pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) no Reservatório Passaúna, Região Metropolitana de Curitiba, revelou que o lambari-miúdo (Psalidodon minor) desempenha papel crucial na mitigação dos gases do efeito estufa, especialmente o metano. Segundo o pesquisador Maurício Bergamini Scheer, a circulação lenta da água em reservatórios favorece a acumulação de matéria orgânica que se decompõe liberando metano, gás com potencial de aquecimento cerca de 80 vezes superior ao do dióxido de carbono em 20 anos. A keyphrase “lambari-miúdo filtra gases efeito estufa” está no centro dessa descoberta que indica que a biomassa desse peixe retém parte do carbono originado do metano, reduzindo a emissão local desse gás.
Importância ecológica e impacto do lambari-miúdo nas populações nativas
Jean Ricardo Simões Vitule, coordenador do Laboratório de Ecologia e Conservação da UFPR, destaca que apesar do pequeno porte, o lambari-miúdo tem massa significativa que sustenta predadores e pode assimilar até 15% do seu peso em carbono derivado do metano. A manutenção dessa espécie é crucial para impedir que o metano seja liberado em maior quantidade na atmosfera. O estudo evidencia um sistema complexo onde peixes nativos formam um filtro ecológico essencial para o equilíbrio dos reservatórios neotropicais e, consequentemente, para a mitigação dos gases do efeito estufa.
Ameaça das espécies invasoras e desequilíbrio biológico nos reservatórios
A pesquisa também destaca os impactos negativos causados pela introdução de espécies exóticas como o black bass (Micropterus nigricans). Essa espécie predadora reduz drasticamente as populações de lambari-miúdo e outras espécies nativas, desestruturando a teia alimentar e acelerando a liberação de metano para a atmosfera. O desequilíbrio afeta a sustentabilidade ambiental e econômica, tornando urgente o monitoramento e manejo ecológico para proteger a fauna nativa e garantir a funcionalidade dos reservatórios.
Protocolo de manejo ecológico para preservação dos reservatórios
Para enfrentar os desafios causados pela invasão biológica, a Sanepar em parceria com a UFPR desenvolveu um protocolo de manejo que pode ser aplicado em reservatórios no Brasil e no mundo. O protocolo inclui estratégias para aumentar as populações nativas de forma equilibrada e controlar as espécies exóticas, contemplando tanto a vida aquática quanto terrestre. Essa iniciativa representa um avanço significativo para a conservação dos recursos hídricos e a mitigação dos gases do efeito estufa, evidenciando a importância da integração entre pesquisa científica e práticas ambientais.
Perspectivas futuras para conservação e sustentabilidade dos mananciais
O estudo, publicado na revista Water Biology and Security, reforça a necessidade de continuar investigações sobre os serviços ecossistêmicos prestados pelos reservatórios e mananciais. O acompanhamento da qualidade e quantidade desses recursos é essencial para antecipar possíveis problemas ambientais e valorizar o papel dos peixes nativos na mitigação climática. A pesquisa é fruto de um esforço interinstitucional que ressalta a importância do conhecimento científico aplicado para o manejo sustentável dos ecossistemas aquáticos.
Fonte: www.parana.pr.gov.br









