Operação Conluio II apura cartelização e prejuízos milionários em contratos de transporte escolar no Oeste do Paraná

Polícia Civil do Paraná deflagra operação para desarticular esquema de fraudes milionárias no transporte escolar de Santa Helena.
Fraudes no transporte escolar em Santa Helena motivam operação da PCPR
A Polícia Civil do Paraná (PCPR) realizou em 18 de junho de 2026 a Operação Conluio II, visando desarticular um grupo suspeito de fraudes no transporte escolar de Santa Helena, município do Oeste paranaense. A investigação, liderada pelo Núcleo de Cascavel da Divisão Estadual de Combate à Corrupção (DECCOR), revelou um esquema de cartelização, manipulação de licitações e desvio de recursos públicos, que causaram prejuízos milionários ao erário local.
O delegado responsável destacou que o grupo criminoso atuava para eliminar concorrentes e inflacionar os preços dos contratos de transporte intra e intermunicipal, utilizando laranjas para ocultar os verdadeiros beneficiários. A ofensiva contou com o apoio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (GAECO) e mobilizou cerca de 120 agentes em cumprimento de 27 mandados de busca e apreensão.
Detalhes da operação e medidas adotadas contra os investigados
A Operação Conluio II teve como objetivo a apreensão de documentos, aparelhos eletrônicos e mídias que possam aprofundar as investigações e identificar novos envolvidos. O Poder Judiciário autorizou a quebra de sigilo telefônico e buscas pessoais contra empresários e agentes públicos ligados ao esquema. Essa fase é uma continuidade da Operação Conluio I, realizada em agosto de 2024, que já havia identificado ao menos um dos principais articuladores do cartel.
Impactos econômicos e irregularidades evidenciadas pela PCPR
A análise comparativa feita pela Polícia Civil entre Santa Helena e municípios vizinhos revelou distorções econômicas graves. Enquanto em Marechal Cândido Rondon o valor pago por quilômetro rodado era de R$ 4,30, em Santa Helena os contratos chegaram a R$ 9,99, representando sobrepreço de até 132% sobre preços de mercado. Além disso, o edital local permitiu a utilização de ônibus com até 24 anos de uso, enquanto cidades próximas limitam a frota a veículos com até 14 anos, evidenciando flexibilizações que mascaravam a precariedade dos serviços.
A PCPR também constatou que o custo total do transporte escolar saltou de R$ 3,8 milhões em 2018 para R$ 10,4 milhões em 2024, aumento de 175%, muito acima da inflação oficial e dos reajustes de combustível no período. A falsa disputa entre empresas resultava em descontos irrisórios de apenas 2,55%, demonstrando a manipulação do processo licitatório.
Crimes investigados e consequências jurídicas para os envolvidos
Os empresários e agentes públicos investigados responderão por crimes como fraude à licitação, falsidade ideológica, formação de cartel, organização criminosa e lavagem de dinheiro. A PCPR reforça que a participação e o apoio da população são fundamentais para o combate à corrupção, disponibilizando canais sigilosos para denúncias, como o Disque-Denúncia 181 e contatos diretos com o DECCOR em Cascavel.
A importância das investigações para a integridade no transporte escolar
Essa operação evidencia o comprometimento das autoridades em coibir práticas ilícitas que prejudicam o serviço público e a qualidade do transporte escolar, fundamental para o acesso à educação. A desarticulação de cartéis e a responsabilização dos envolvidos são essenciais para garantir transparência, eficiência e segurança nos contratos públicos, promovendo a correta destinação dos recursos e o bem-estar da comunidade escolar.
Fonte: www.parana.pr.gov.br










