Ministro do STF foi citado em processo movido pela Rumble e Trump Media na Justiça da Flórida e tem 21 dias para apresentar defesa

Ministro Alexandre de Moraes é citado em ação judicial nos EUA movida pela Rumble e Trump Media, que contestam decisões do STF sobre perfis bolsonaristas.
Ação judicial internacional envolvendo Alexandre de Moraes no sistema americano
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, foi citado em 24 de fevereiro de 2026 para responder a uma ação judicial movida pela rede social Rumble e pela Trump Media & Technology Group na Justiça Federal da Flórida, Estados Unidos. A notificação, enviada por e-mail e autorizada pela Justiça local, concede um prazo de 21 dias para que Moraes apresente sua defesa formal. As empresas contestam decisões do ministro relacionadas à remoção de perfis bolsonaristas, alegando violação da Primeira Emenda da Constituição dos EUA, que garante a liberdade de expressão.
Contexto e impacto das decisões de Alexandre de Moraes nas plataformas digitais
As decisões do ministro Alexandre de Moraes que motivaram a ação judicial envolvem ordens para remoção de perfis influentes das plataformas digitais Rumble e Truth Social, vinculadas à Trump Media. Essas ordens foram emitidas no âmbito de investigações e medidas contra a disseminação de desinformação e conteúdos considerados ilegais no Brasil. No entanto, as empresas norte-americanas argumentam que tais determinações ultrapassam os limites da jurisdição brasileira e ferem direitos constitucionais americanos, especialmente a garantia da liberdade de expressão, criando um conflito jurídico internacional relevante.
Procedimento para citação internacional e desafios legais
A notificação eletrônica a Alexandre de Moraes foi autorizada pela Justiça Federal da Flórida após tentativas prolongadas de contato via canais formais no Brasil não terem sucesso. O advogado Martin de Luca, representante das empresas, destacou que a tentativa pela via da Convenção de Haia – tratado internacional para comunicações judiciais – não avançou. A decisão da corte da Flórida de permitir a citação por e-mail baseia-se em jurisprudência recente que admite notificações eletrônicas para réus residentes fora dos Estados Unidos, demonstrando evolução nas práticas de cooperação internacional jurídica.
Implicações jurídicas e possíveis estratégias de defesa no âmbito americano
Alexandre de Moraes poderá contestar a validade da notificação, alegando que a Convenção de Haia, como tratado internacional incorporado na legislação federal brasileira, não poderia ser sobreposta por decisão da justiça estadual da Flórida. Contudo, essa contestação exigiria manifestação formal dentro do processo americano, o que implicaria atuação oficial do ministro na ação. Essa situação representa um dilema jurídico, pois a defesa contra a citação pode levar ao reconhecimento da jurisdição americana sobre decisões tomadas no Brasil, ampliando o debate sobre limites e soberania jurídica em casos que envolvem plataformas digitais globais.
Relevância do caso para o direito internacional e liberdade de expressão
Essa ação judicial simboliza um marco nas disputas sobre liberdade de expressão na internet e o alcance das decisões judiciais nacionais em um cenário globalizado. O confronto entre regras brasileiras e americanas ilustra os desafios enfrentados por magistrados e legisladores diante do poder das redes sociais e das plataformas digitais, que atuam além das fronteiras dos países. O desdobramento deste processo poderá influenciar futuros entendimentos sobre jurisdição e proteção de direitos fundamentais em ambientes digitais transnacionais.









