Aluguel de navios transatlânticos em Belém mobilizou recursos públicos para acomodar delegações da conferência climática da ONU

O governo Lula gastou R$ 350 milhões para alugar cruzeiros que serviram de hospedagem na COP30, evento da ONU realizado em Belém (PA).
Governo Lula gastou 350 milhões para alugar cruzeiros na COP30 em Belém
O governo Lula gastou R$ 350,2 milhões para alugar cruzeiros que serviram de hospedagem durante a COP30, conferência da ONU realizada em Belém (PA), entre 10 e 21 de novembro de 2025. A decisão atendeu à necessidade de suprir o déficit de hospedagem da cidade e garantir as condições para o evento, que reuniu delegações internacionais. O contrato foi firmado por meio da Secretaria Especial da COP30, vinculada ao ministério responsável.
Processo de contratação e envolvimento da Qualitours e Embratur
Segundo documentos da Casa Civil, a Embratur contratou a empresa Qualitours Agência de Viagens e Turismo Ltda, que por sua vez fechou acordos com as empresas Costa Cruzeiros e MSC Cruzeiros para o aluguel dos navios. A Qualitours pertence à holding BeFly, criada pelo empresário Marcelo Cohen, que tem ligações financeiras com o Banco Master. Apesar dessas conexões, a estrutura financeira da operação foi assegurada pelo banco BTG Pactual, via carta fiança.
Análise e auditoria do Tribunal de Contas da União sobre a contratação
O Tribunal de Contas da União (TCU) auditou o contrato e o considerou regular por unanimidade. O acórdão 756/2026 reconheceu a plausibilidade técnica, jurídica e estratégica da contratação, destacando que o modelo adotado foi economicamente mais vantajoso do que o fretamento direto dos navios. Essa avaliação indica que a operação, apesar do alto valor, representou uma alternativa eficiente para a hospedagem das delegações da COP30.
Impactos do aluguel dos cruzeiros na logística da COP30 e na cidade de Belém
O aluguel dos cruzeiros transatlânticos foi uma solução inovadora para o desafio logístico da COP30, que enfrentou uma carência significativa de acomodações em Belém. A escolha dos navios permitiu ampliar a capacidade hoteleira temporariamente, facilitando a recepção dos participantes e contribuindo para o sucesso da conferência. Essa estratégia também trouxe evidências sobre a necessidade de investimentos futuros em infraestrutura hoteleira na região para grandes eventos.
Relações empresariais e repercussões políticas sobre o investimento
A relação da empresa contratada com empresários ligados ao Banco Master gerou questionamentos, embora a Embratur tenha reforçado que não houve participação do banco no processo de contratação. A transparência e legalidade dos procedimentos foram destacadas pelas autoridades, que ressaltaram a regularidade da contratação. Mesmo assim, o montante investido e as ligações empresariais continuam sendo temas de análise e debate no cenário político.
Considerações finais sobre o uso de cruzeiros para hospedagem em eventos internacionais
A experiência da COP30 em Belém mostrou que o aluguel de cruzeiros pode ser uma solução viável para suprir demandas temporárias de hospedagem em grandes eventos internacionais. Além de atender à necessidade imediata, esse modelo pode servir como referência para futuras conferências e encontros globais, desde que acompanhado de controle rigoroso e avaliação econômica criteriosa para garantir transparência e eficiência no uso dos recursos públicos.
Fonte: www.metropoles.com










