Hugo Motta vai pautar projetos sobre “adultização” de crianças após denúncia de Felca

Presidente da Câmara anuncia debate urgente sobre exploração de menores em plataformas digitais

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), informou que vai pautar nesta semana uma série de projetos voltados à proteção das crianças nas redes sociais, em resposta a uma denúncia que ganhou grande repercussão no país. O influenciador digital Felipe Bressanim Pereira, conhecido como Felca, chamou atenção para a chamada “adultização” infantil e para casos de exploração e suposta manipulação de menores em conteúdos online, levantando um debate urgente sobre a segurança digital da infância.

Hugo Motta se atentou à repercussão nas redes socias e promete pautar projetos contra “adultização” de crianças e adolescentes (Fotos: Reprodução/ Redes Sociais)

A denúncia feita por Felca viralizou no final de semana, somando mais de 100 milhões de visualizações em seu vídeo. No conteúdo, ele aponta diretamente o influenciador Hytalo Santos como suspeito de aliciamento de menores e alerta para o funcionamento dos algoritmos das plataformas, que acabam facilitando a comunicação entre abusadores e crianças e adolescentes. Felca destaca que, além da manipulação, muitos jovens são expostos a comportamentos, conteúdos e até responsabilidades que deveriam ser exclusivas do universo adulto, configurando o fenômeno da “adultização” precoce.

O Ministério Público da Paraíba já está investigando as denúncias, o que reforça o grau de preocupação institucional sobre o tema. A exposição precoce de crianças em ambientes virtuais, principalmente nas redes sociais, tem sido uma pauta crescente no Brasil e no mundo. A facilidade de acesso, combinada com a falta de regulamentação clara e fiscalização efetiva, torna esses ambientes vulneráveis para o público infantil.

As denúncias levaram à abertura de um inquérito policial e também a uma investigação do Ministério Público do Trabalho da 13ª região. Além disso, por decisão judicial, o Ministério Público conseguiu tirar do ar as redes sociais da influencer adolescente Kamylinha.

Em uma rede social, Hugo Motta afirmou que o tema é urgente e exige respostas rápidas do Parlamento. Segundo ele, a Câmara já conta com uma série de projetos voltados à segurança digital, proteção da infância e combate ao abuso online, que agora terão prioridade na pauta de debates. “Vamos pautar, debater e votar medidas que possam garantir mais proteção às nossas crianças e adolescentes nas redes sociais”, afirmou.

Além da mobilização legislativa, o caso traz à tona o debate sobre o papel das plataformas digitais e a necessidade de mecanismos mais eficientes para coibir a exploração de menores e evitar a “adultização” precoce, fenômeno que especialistas definem como a imposição, às crianças e adolescentes, de papéis, responsabilidades e comportamentos típicos da vida adulta, muitas vezes danosos ao desenvolvimento saudável desses jovens.

Esse tipo de exposição precoce pode trazer consequências graves, como comprometimento do desenvolvimento psicológico, aumento da vulnerabilidade a abusos, e danos sociais que se estendem para além do ambiente virtual. Organizações sociais e especialistas em infância alertam para a importância de políticas públicas integradas, que envolvam educação, regulação digital e proteção social.

A pauta também deve colocar em evidência a pressão para que as plataformas assumam maior responsabilidade sobre os conteúdos publicados e os mecanismos de moderação. Atualmente, a legislação brasileira conta com o Marco Civil da Internet, mas muitos apontam que faltam regulamentações específicas para lidar com os riscos que as redes sociais oferecem para o público infantil.

A iniciativa de Hugo Motta representa, portanto, uma resposta política a uma demanda social urgente e crescente. A expectativa é que os projetos pautados possam avançar no debate sobre limites, fiscalização e punições relacionadas à exposição e manipulação de crianças nas redes.

Com o protagonismo da Câmara, a expectativa é que o tema ganhe força no Congresso Nacional, despertando a atenção do Executivo e dos órgãos fiscalizadores.

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