Projetos de Lei Buscam Endurecer Pena para Crimes de Drogas em 2026


Enquanto PEC das Drogas permanece parada, Congresso foca em propostas mais rigorosas para tráfico

Projetos de Lei Buscam Endurecer Pena para Crimes de Drogas em 2026
Policiais durante operação de combate ao tráfico de drogas no Brasil. Foto: Divulgação/Ascom PC

Em 2026, projetos no Congresso propõem penas mais duras para crimes relacionados a drogas, enquanto PEC das Drogas está parada e enfrenta resistência em ano eleitoral.

A discussão sobre a legislação referente às drogas permanece um dos temas mais controversos no Congresso Nacional em 2026. Enquanto a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) das Drogas, que pretende criminalizar qualquer quantidade de droga ilícita, aguarda indefinidamente na comissão especial da Câmara dos Deputados, outros projetos de lei buscam endurecer a punição para crimes relacionados ao tráfico e limitar benefícios legais que hoje atenuam penas.

Contexto Legislativo e Político Atual

A PEC das Drogas foi protocolada em setembro de 2023 pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) logo após o Supremo Tribunal Federal (STF) descriminalizar o porte de até 40 gramas de maconha para uso pessoal. A proposta visa criminalizar o porte e o uso de qualquer droga ilícita, embora com distinção entre usuários e traficantes. Porém, a tramitação da PEC perdeu ritmo e está parada em um momento considerado sensível, o ano eleitoral, em que parlamentares evitam temas polêmicos que possam desgastá-los.

Essa paralisação se deve, segundo o relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania (CCJ) da Câmara, deputado Ricardo Salles (PL-SP), à ausência de consenso entre os parlamentares, que veem divergências profundas entre posições mais rigorosas e liberais no tema das drogas. Além disso, a pressão de grupos da sociedade civil contrários à PEC e a preocupação com a repercussão política contribuem para essa estagnação.

Projetos de Lei que Buscam Punições Mais Rígidas

Enquanto a PEC não avança, uma série de 60 projetos de lei foram apresentados na Câmara a partir de setembro de 2023 focando no endurecimento das sanções para crimes relacionados a drogas. No Senado, outras 17 propostas também tramitam, abordando desde o cultivo de maconha medicinal até penas maiores para transporte ilícito e uso de tecnologia para tráfico.

Entre as principais medidas propostas estão:

Aumento de Pena por Tráfico: Agravantes como tráfico próximo a escolas e uso de arma de fogo.
Dificuldades para Tráfico Privilegiado: Restringir benefícios a investigados sem vínculo com facções e bons antecedentes.
Proibição de Acordos de Não Persecução Penal: Impedir acordos que resultem em penas mais leves para crimes previstos na Lei de Drogas.
Limitação de Reduções de Pena: Projetos que buscam restringir reduções tanto para tráfico privilegiado quanto para tráfico comum.
Penas Rigorosas para Novas Modais: Incluem transporte via drones e serviços de bagagens aéreas ou rodoviárias para tráfico.

Divergências e Pressões no Debate

Especialistas e atores políticos divergem profundamente sobre o tema. O advogado Gabriel Sampaio, da Conectas Direitos Humanos, critica a PEC e defende reformas que ultrapassem o endurecimento punitivo, ressaltando que as atuais políticas não reduzem o consumo ou o tráfico e afetam desproporcionalmente populações vulneráveis, como homens negros e pobres.

Já o deputado Ricardo Salles defende uma postura rigorosa contra o usuário e o traficante, argumentando que a não punição do usuário estimula o consumo e enfraquece a luta contra o tráfico.

A socióloga Julita Lemgruber, do Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (CESeC), destaca que a repressão violenta ao comércio varejista de drogas nas favelas não surtiu efeito, evidenciado por operações como a Contenção no Rio de Janeiro que resultaram em numerosas mortes.

Serviço e Segurança: O Que Esperar para 2026

Com a proximidade das eleições, a tendência é que o debate sobre a PEC das Drogas continue estagnado. As iniciativas para endurecer penas e restringir benefícios penais poderão avançar mais rapidamente, mas ainda enfrentarão resistência política e social.

Para quem acompanha o cenário legislativo e a segurança pública, considerações importantes sobre 2026 incluem:

Atenção ao Calendário Eleitoral: Temas polêmicos têm baixa prioridade em ano de renovação de mandatos.
Pressão da Sociedade Civil: Movimentos sociais e acadêmicos atuam na defesa de políticas mais equilibradas.
Impacto nas Políticas de Segurança: O endurecimento das leis pode refletir no aumento da população carcerária e influenciar estratégias policiais.

  • Necessidade de Políticas Integradas: Alinhamento entre segurança, saúde pública e direitos humanos é essencial para resultados efetivos.

O cenário político e legislativo para o tema das drogas em 2026 permanece complexo e polarizado, com desafios consideráveis para a construção de um consenso que contemple a segurança pública e os direitos dos cidadãos.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Divulgação/Ascom PC


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