Pesquisadores projetam que o número de enchentes pode aumentar até cinco vezes na região

Estudo revela que eventos climáticos extremos no sul do Brasil podem aumentar até cinco vezes até 2100.
Estudo revela aumento de eventos climáticos extremos no sul do Brasil
Em um estudo publicado nesta terça-feira (25), pesquisadores do Instituto de Pesquisas Hidráulicas da UFRGS, em colaboração com a Agência Nacional de Águas, alertam para um aumento alarmante na frequência de eventos climáticos extremos na região Sul do Brasil. A pesquisa destaca que a ocorrência de enchentes pode aumentar até cinco vezes até o ano de 2100, uma projeção preocupante para os moradores da área.
Impactos previstos nas cheias e secas
Os resultados do estudo revelam que a vazão máxima de cheias frequentes, que ocorrem em intervalos menores que dez anos, deve crescer em 14% no Rio Grande do Sul, 17% em Santa Catarina e 18% no Paraná. Esse aumento pode elevar o nível das cheias em até 3 metros em regiões serranas e até 1 metro em áreas planas. Além disso, mesmo com o aumento na precipitação média anual, a duração dos períodos secos deve crescer de três a dez dias, o que traz desafios adicionais para a gestão de recursos hídricos.
A realidade das enchentes no Rio Grande do Sul
As cidades ao longo dos rios Jacuí, Caí e Taquari já enfrentam problemas quase anuais de enchentes. A tragédia causada pela enchente do ano passado, considerada a maior da história do Rio Grande do Sul, deixou 185 mortos, 23 desaparecidos e 806 feridos. Aproximadamente 540 mil pessoas foram desalojadas, afetando diretamente 2,3 milhões de habitantes do estado.
Projeções específicas para os rios
O estudo também aponta que a vazão máxima de cheias raras, aquelas que ocorrem em períodos superiores a dez anos, deve aumentar 13% no Rio Grande do Sul. O Paraná, por outro lado, pode registrar um aumento de 25%. Além disso, a bacia do rio Itajaí-Açu em Santa Catarina está sob alerta, com previsão de enchentes maiores em cidades como Blumenau e Itajaí.
Risco de secas e crise hídrica
Embora as projeções indiquem um aumento na quantidade de chuvas, o estudo destaca um risco significativo de secas, especialmente no Paraná, que pode enfrentar uma redução de 2% na precipitação anual e um aumento de dez dias no período seco. Essa situação exigirá adaptações na gestão dos recursos hídricos, uma vez que os regimes hidrológicos dos rios sul-americanos estão mudando de forma significativa.
Metodologia e limitações do estudo
Os pesquisadores utilizaram um modelo hidrológico que simula fluxos de água e ondas de cheia, além de 28 Modelos Climáticos Globais (GCMs) para gerar suas projeções. No entanto, o estudo ressalta que essas projeções têm limitações e podem subestimar as mudanças devido à baixa sensibilidade dos modelos utilizados e à imprevisibilidade de fenômenos climáticos ainda desconhecidos.
Esses dados ressaltam a necessidade urgente de planejamento e adaptação às novas realidades climáticas que o sul do Brasil enfrentará nas próximas décadas.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress










