Roberto Campos Neto comenta sua saída e a situação do banco em evento em Paris

Roberto Campos Neto fala sobre suas críticas e o processo de liquidação do Banco Master após sua saída do BC.
Durante um fórum realizado em Paris, Roberto Campos Neto, ex-presidente do Banco Central do Brasil, comentou sobre as críticas que tem recebido desde sua saída da instituição, ocorrida há um ano. Ele foi questionado sobre a situação do Banco Master, que recentemente passou por um processo de liquidação judicial decretado pelo Banco Central, atualmente sob a presidência de Gabriel Galípolo, indicado pelo governo Lula.
“Entendo que às vezes possam ter crítica. Nos EUA, a gente teve problemas de banco também, isso acontece em vários lugares do mundo. Agora, eu saí do Banco Central já tem um ano, então mais particular nesse caso, eu acho que o ideal era perguntar para as pessoas que estão lá no dia a dia olhando. E principalmente para as equipes técnicas”, afirmou Campos Neto, ressaltando a continuidade da equipe que esteve sob sua gestão.
A liquidação do Banco Master, que foi decretada no dia 18 deste mês, gerou uma série de discussões sobre a atuação do Banco Central durante a gestão de Campos Neto, que foi nomeado em 2019 pelo então presidente Jair Bolsonaro. Analistas do setor bancário criticaram a forma como a situação do banco foi tratada, alegando que o ex-presidente do BC teria cedido a pressões políticas e ignorado alertas sobre a deterioração da instituição.
Em sua defesa, Campos Neto enfatizou que confia no trabalho da equipe técnica do Banco Central, que permanece inalterada. “Acho que é um trabalho da equipe técnica, confio muito na equipe técnica. É a mesma equipe técnica que estava no passado, a mesma equipe que está agora. Então, eu confio no trabalho do Banco Central”, concluiu.
Taxa Selic e o futuro do Banco Central
Durante sua participação no fórum, Campos Neto também foi questionado sobre a taxa Selic. Ele elogiou o trabalho de seu sucessor, afirmando que não teria feito nada diferente em relação às decisões adotadas. “Acho que o Banco Central tem feito um trabalho muito bom, não teria feito nada diferente do que o Banco Central fez”, disse, referindo-se ao trabalho de Galípolo.
O ex-presidente do BC mencionou que, para que o Brasil consiga conviver com taxas de juros mais baixas, será necessário um suporte fiscal positivo. “No médio prazo, para a gente conviver com juros muito mais baixos, de um dígito, a gente vai precisar ter algum tipo de ajuda do lado fiscal, algum tipo de choque fiscal positivo.”
Além disso, Campos Neto destacou o trabalho técnico realizado pelo Banco Central ao longo dos anos, enfatizando que a instituição é reconhecida internacionalmente por sua estabilidade financeira e inclusão financeira. Ele defendeu que a atuação do Banco Central é fundamental para o desenvolvimento econômico do país e para a manutenção de um ambiente seguro para a inclusão financeira.
Conclusão
Com um olhar atento às críticas e desafios enfrentados pela instituição, Campos Neto reafirmou seu compromisso com a equipe técnica do Banco Central e a importância de um trabalho conjunto para garantir a estabilidade econômica do Brasil. A situação do Banco Master e as decisões tomadas durante sua gestão continuarão a ser temas de debate entre analistas, políticos e a sociedade, enquanto o Banco Central busca se adaptar às novas realidades do mercado financeiro.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Folhapress










