40% das exportações do Paraná aos EUA estão ameaçadas, aponta Faciap

Sobretaxa de Trump atinge setor madeireiro dos Campos Gerais; entidade fala em risco de colapso regional e cobra reação urgente

Um estudo da Federação das Associações Comerciais e Empresariais do Paraná (Faciap) alerta que quase 40% das exportações paranaenses aos Estados Unidos podem ser impactadas pela nova tarifa de importação assinada pelo presidente Donald Trump. A medida, que entra em vigor nesta quinta-feira (7), eleva de 10% para 50% o imposto de entrada sobre centenas de produtos brasileiros, afetando em cheio o setor madeireiro dos Campos Gerais.

Setores da economia do Paraná estão preocupados com o tarifaço, incluindo o agro (Foto: Gilson Abreu/ AEN)

Atualmente, o Paraná é o 7º estado que mais exporta para os EUA, com US$ 735 milhões em vendas no primeiro semestre de 2025. Desse total, 38,9% vêm da indústria de madeira – especialmente compensados de pinus, molduras e madeira serrada – concentrada em cidades como Telêmaco Borba, Jaguariaíva, Ventania e Guarapuava.

“Não se trata de uma crise generalizada, mas de um colapso localizado e setorial, com potencial de colocar em risco mais de 600 mil empregos. A região dos Campos Gerais está no epicentro e precisa de atenção urgente”, disse o presidente da Faciap, Flávio Furlan.

Madeira ficou fora das isenções

Apesar de o governo norte-americano ter anunciado isenções tarifárias para cerca de 700 itens, os principais produtos madeireiros do Paraná ficaram de fora. A lista contempla apenas madeira tropical e polpa de madeira, que não são produzidas na região. “Isso impõe um desafio imediato às indústrias locais”, destaca o relatório da Faciap.

Enquanto o setor florestal amarga perdas, outros segmentos foram beneficiados, como máquinas industriais, papel, suco de laranja, castanhas e reatores nucleares. A Região Metropolitana de Curitiba e o Norte do estado, com perfil exportador mais diversificado, devem sentir menos os efeitos da medida.

Risco de efeito dominó

Segundo Furlan, o impacto da tarifa vai além da indústria. “A perda de exportações derruba o consumo, fragiliza o comércio local, aumenta a inadimplência e compromete toda a economia regional. O impacto não é apenas industrial: é social e comunitário”, afirmou.

Dados da própria Faciap mostram que o volume exportado pelo Paraná aos EUA já vinha sofrendo oscilações ao longo do ano. Em março, foram US$ 146 milhões; em maio, caiu para US$ 113 milhões; e, em junho, houve leve recuperação. “Os exportadores anteciparam o envio de produtos aos EUA para se beneficiarem da taxa vigente”, explicou Aluizio Miguel Pinho Andreatta, diretor de Comércio Exterior da entidade.

Faciap cobra resposta estratégica

Diante do cenário, a Faciap propõe uma reação em duas frentes: socorro emergencial ao setor madeireiro e incentivo à diversificação nos segmentos menos afetados. “É hora de agir com inteligência. O Paraná precisa de políticas públicas regionais e setoriais, como crédito emergencial, suspensão de tributos e incentivo à abertura de novos mercados”, defende Andreatta. Para ele, também é papel das empresas buscar inovação, redirecionamento e maior agregação de valor.

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