Elisa Morgera destaca a necessidade de ouvir comunidades afetadas pelas mudanças climáticas

Relatora da ONU critica a influência de lobistas do petróleo nas decisões da COP.
Lobistas do petróleo e a COP: um desafio à eficiência das decisões climáticas
A presença crescente de lobistas do petróleo tem levantado sérias preocupações sobre a eficácia das decisões tomadas na Conferência das Partes (COP) das Nações Unidas. Elisa Morgera, relatora especial da ONU para Mudanças Climáticas e Direitos Humanos, afirmou que as decisões da COP podem não refletir a melhor ciência disponível e as experiências das populações mais afetadas pela crise climática. Essa afirmação surge em um momento crucial, já que a COP30 ocorreu em Belém, no Brasil, e teve uma alta concentração de representantes da indústria de combustíveis fósseis.
Aumento da influência dos lobistas
Morgera destacou que, na COP30, mais de 1.600 representantes das indústrias do petróleo e gás estavam presentes nas salas de negociação, um aumento significativo em relação aos cerca de 500 representantes em 2021. Ela enfatizou que essa presença excessiva de lobistas pode obscurecer as vozes das comunidades que realmente enfrentam os impactos das mudanças climáticas, como as populações indígenas e as que vivem em áreas ecologicamente vulneráveis.
Desinformação e obstrução
A relatora também apontou para um histórico de desinformação e obstrução por parte da indústria de combustíveis fósseis, que tem buscado influenciar as negociações climáticas em benefício próprio. “Essa presença mostra que há uma nova influência comercial, além de esforços contínuos para desinformar os participantes da COP”, declarou Morgera, chamando atenção para a necessidade de um debate mais transparente e fundamentado nas evidências científicas.
O papel das comunidades afetadas
Morgera argumenta que as comunidades mais afetadas pelas mudanças climáticas deveriam ter um papel central nas discussões da COP, especialmente em uma conferência realizada na Amazônia. Ela alertou que a presença de povos indígenas, com conhecimento ancestral sobre a natureza, poderia enriquecer as decisões e ajudar a evitar uma crise climática ainda mais profunda. “Estamos próximos de um ponto de não retorno, e é essencial ouvir aqueles que vivem em harmonia com a natureza”, afirmou.
A recente decisão da CIJ
A relatora também mencionou a recente decisão da Corte Internacional de Justiça (CIJ), que reafirma as obrigações dos Estados em relação ao meio ambiente e à mitigação das mudanças climáticas. A decisão pode impactar as políticas do governo brasileiro em relação à exploração de petróleo na bacia Foz do Amazonas, autorizada recentemente pelo Ibama. Morgera alertou que essa atividade pode violar a lei internacional, dependendo das contribuições históricas do Brasil para as mudanças climáticas e das ações preventivas que o país tem tomado.
Conclusão
A discussão sobre a influência de lobistas do petróleo na COP é vital para o futuro das negociações climáticas. A relatora Elisa Morgera destaca a importância de priorizar as vozes das comunidades afetadas e garantir que as decisões sejam baseadas em ciência e justiça social. Somente assim será possível enfrentar de forma eficaz os desafios impostos pelas mudanças climáticas.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Governo Federal










