Justiça anula revisão de tombamento que permitiu novos condomínios em São Paulo


Decisão judicial reverte mudanças que possibilitavam verticalização nos Jardins, defendidas por coletivos locais

Justiça anula revisão de tombamento que permitiu novos condomínios em São Paulo
Decisão reverte mudanças na legislação de preservação. Foto: Folhapress

O tombamento dos Jardins em São Paulo foi restaurado após decisão judicial que anulou revisão anterior.

Justiça reverte revisão de tombamento nos Jardins de São Paulo

A Justiça de São Paulo tomou uma decisão significativa ao anular a revisão do tombamento dos Jardins América, Europa, Paulista e Paulistano, que permitia a verticalização desses bairros. Essa revisão, aprovada pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico) no fim do ano passado, gerou controvérsias e levou a uma ação judicial movida pelo Coletivo Jardins.

Ação judicial e decisão da magistrada

A juíza da 7ª Vara de Fazenda Pública, responsável por analisar o caso, decidiu que a votação que resultou na revisão do tombamento violou o regimento interno do órgão de preservação. A decisão foi publicada na terça-feira, 18 de novembro. Segundo a magistrada, a proposta foi aprovada de forma automática, após a rejeição de um substitutivo, o que contraria as normas que exigem uma nova votação em situações como essa.

No despacho, a juíza mencionou que era responsabilidade do presidente do Conselho realizar a votação da proposta original após a rejeição do substitutivo, o que não ocorreu. Essa falha processual foi fundamental para a anulação da revisão.

Mudanças na legislação de uso dos imóveis

A revisão que foi anulada retirou restrições sobre o uso dos imóveis nos Jardins, permitindo a construção de prédios e divisão de terrenos. Antes da revisão, a regra vigente determinava que os lotes deveriam ter uso familiar, o que impedia a verticalização. Com a nova resolução, o uso multifamiliar se tornou viável, atraindo o interesse do mercado imobiliário para novos empreendimentos na área.

A anulação da revisão do tombamento preserva, assim, a legislação anterior, que assegurava a manutenção do caráter familiar dos bairros. Essa decisão é um reflexo do movimento dos coletivos que lutam pela preservação do patrimônio histórico e pela identidade dos Jardins.

Reação da gestão do estado

Procurada para comentar a decisão, a gestão do governador Tarcísio de Freitas, do partido Republicanos, não se manifestou. O silêncio da administração estadual é notável, uma vez que a revisão do tombamento havia sido uma medida apoiada por setores do governo em busca de desenvolvimento urbano na área.

A decisão judicial representa uma vitória para os defensores da preservação do patrimônio em São Paulo, que veem a verticalização como uma ameaça à identidade e à história dos Jardins. Assim, a luta dos coletivos locais por um planejamento urbano que respeite a memória e as características da cidade continua a ganhar força.

Essa situação ressalta a importância da participação popular e do controle social sobre as decisões que afetam o espaço urbano. A anulação da revisão do tombamento é um exemplo claro de como a mobilização da sociedade civil pode influenciar a política pública e proteger áreas de valor histórico e cultural.

Fonte: www1.folha.uol.com.br

Fonte: Folhapress


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