Polêmica na Vogue: Modelos de IA em Anúncios Desencadeiam Debate sobre Ética e Beleza


A edição de agosto de 2025 da Vogue americana está gerando controvérsia, indo além da capa com Anne Hathaway, que retorna aos holofotes com a sequência de “O Diabo Veste Prada”. A atenção está voltada para os anúncios da marca californiana Guess, que apresentam modelos criadas por inteligência artificial (IA). O uso de IA levanta questões sobre o futuro da representação e os padrões de beleza.

À primeira vista, os anúncios parecem tradicionais: uma modelo caucasiana, loira e sorridente exibe as roupas da Guess. No entanto, uma nota discreta revela a origem da modelo: inteligência artificial. A campanha, desenvolvida pela agência londrina Seraphinne Vallora, especializada em IA, já atraiu críticas e debates acalorados nas redes sociais, impulsionados por um vídeo viral no TikTok.

A revelação de modelos de IA nas páginas da Vogue reacendeu discussões sobre o impacto na indústria da moda. Modelos da vida real, que buscam maior diversidade e representação, podem ser marginalizadas. Consumidores, especialmente os jovens, podem enfrentar expectativas de beleza ainda mais irreais. “Agora temos que nos comparar a mulheres que nem existem???”, questionou uma usuária do TikTok, refletindo a preocupação generalizada.

Usuários das redes sociais pediram boicote à Guess e à Vogue, expressando sua indignação. Enquanto a Guess não se manifestou, a Condé Nast confirmou que modelos de IA nunca apareceram em editoriais da Vogue americana. No entanto, edições internacionais, como a Vogue Singapura, já utilizaram avatares gerados por IA, abrindo um precedente controverso.

Valentina Gonzalez e Andreea Petrescu, da Seraphinne Vallora, minimizam a polêmica, argumentando que a campanha ainda envolve modelos reais. “As pessoas acham que essas imagens foram criadas por inteligência artificial, o que não é verdade. Temos uma equipe e ainda contratamos modelos”, defende Petrescu em entrevista à CNN. Elas explicam que modelos reais foram fotografadas usando as roupas da Guess para servir de base para a criação das modelos de IA.

Gonzalez e Petrescu afirmam que Paul Marciano, cofundador da Guess, as contratou para criar modelos de IA para a marca. Após analisarem diversos rascunhos, Marciano escolheu duas modelos criadas digitalmente, Vivienne (loira) e Anastasia (morena). Ambas apareceram em anúncios da Guess, incluindo os da Vogue, embora apenas Vivienne tenha se tornado viral.

A crescente utilização de modelos de IA não se limita à Guess. Marcas como Mango e Levi’s também experimentaram a tecnologia, buscando otimizar processos e promover diversidade. No entanto, essas iniciativas têm sido recebidas com críticas, com receios de que a IA seja usada para lucrar com a aparência de diversidade sem investir em modelos reais.

A Mango justifica o uso de modelos de IA como uma forma de acelerar a criação de conteúdo publicitário. A Levi’s, por sua vez, esclareceu que a IA não visa substituir modelos reais e que continua comprometida com a diversidade. A falta de diversidade entre os modelos de IA da Seraphinne Vallora também foi questionada, com a empresa alegando seguir as orientações dos clientes e observar as preferências do público.

Sara Ziff, fundadora da Model Alliance, levanta preocupações sobre a ética e a responsabilidade no uso da IA na moda. “Precisamos perguntar quem está sendo pago, quem está sendo visto e quem está sendo apagado”, alerta Ziff. Ela enfatiza a importância de considerar o impacto da IA nos modelos e na indústria como um todo, defendendo a necessidade de regulamentação e proteção.

A ascensão dos modelos de IA ecoa o fenômeno dos influenciadores virtuais, como Lil Miquela e Shudu, que já conquistaram espaço nas redes sociais. Marcas de luxo como Prada e Dior têm colaborado com esses avatares digitais, explorando novas formas de marketing. A H&M também anunciou a criação de “gêmeos” de IA de modelos reais, visando otimizar campanhas publicitárias.

Especialistas como Lara Ferris, da Spring Studios, reconhecem que a IA permite criar imagens em escala, mas questionam o impacto na qualidade e na percepção de exclusividade. Michael Musandu, CEO da Lalaland.ai, defende o uso da IA como um complemento aos modelos reais, visando promover a diversidade e a representação na moda online. “Nunca cheguei a ver modelos que se parecessem comigo”, afirma Musandu, destacando a importância de atender às necessidades de todos os consumidores.

Diante desse cenário em transformação, a Model Alliance defende a necessidade de proteção para os modelos, que historicamente carecem de direitos e segurança no trabalho. A Lei dos Trabalhadores da Moda do Estado de Nova York, que entrou em vigor recentemente, busca regulamentar as agências de modelos e estabelecer mecanismos de reclamação e penalidades para violações. O futuro da moda, com a crescente integração da IA, exige um debate contínuo sobre ética, diversidade e responsabilidade social.

Fonte: http://www.cnnbrasil.com.br


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