Alexandre de Moraes diz que vai ignorar sanções dos EUA


Ministro diz que não se intimidará com pressões externas e confirma julgamento de Bolsonaro ainda neste semestre

Durante a cerimônia de reabertura dos trabalhos do Supremo Tribunal Federal (STF), nesta sexta-feira (1º), o ministro Alexandre de Moraes foi enfático ao reagir às sanções impostas pelo governo dos Estados Unidos. Em seu pronunciamento, ele declarou que vai ignorar completamente a medida e continuar com suas funções normalmente na Corte. A declaração veio em um momento de intensa tensão institucional entre autoridades brasileiras e norte-americanas.

vai ignorar
Foto: Fellipe Sampaio/STF

“Esse relator vai ignorar as sanções que lhe foram aplicadas e continuar trabalhando como vem fazendo, tanto no Plenário quanto na Primeira Turma”, afirmou Moraes, durante a sessão. A fala foi recebida com silêncio atento no plenário, mas o teor de sua mensagem deixou claro que não haverá recuo nas investigações e julgamentos conduzidos sob sua relatoria.

Sanções e acusações internacionais

No dia 30 de julho, o ministro foi alvo de sanções do governo norte-americano, que o acusou de promover censura, prisões arbitrárias e perseguição política. As medidas foram baseadas na chamada Lei Magnitsky, dispositivo legal dos EUA que permite punir estrangeiros considerados responsáveis por violações de direitos humanos. O governo americano afirmou que Moraes teria ultrapassado os limites do seu cargo ao conduzir processos contra opositores políticos, empresas e cidadãos de ambos os países.

Apesar da gravidade das acusações, Moraes adotou uma postura de firmeza, descartando qualquer impacto prático ou simbólico das medidas em sua atuação no Judiciário. A resposta rápida e contundente foi vista por integrantes da Corte como uma sinalização clara de que o STF manterá sua independência e autonomia frente a pressões externas.

Julgamento de Bolsonaro e núcleo golpista

Ainda durante sua fala, o ministro reafirmou que o Supremo julgará, ainda neste semestre, os quatro núcleos que compõem a suposta trama golpista investigada após os atos antidemocráticos de 8 de janeiro. Dentre os réus está o ex-presidente Jair Bolsonaro, acusado de envolvimento direto na tentativa de subverter a ordem democrática e instigar a invasão às sedes dos Três Poderes.

“Nós julgaremos todos os responsáveis. Absolvendo aqueles onde não houver prova e condenando aqueles onde houver prova, mas julgando, exercendo a nossa função jurisdicional e não nos acovardando em virtude de ameaças, seja daqui ou de qualquer outro lugar”, afirmou Moraes.

O ministro deixou claro que o objetivo do STF é dar uma resposta institucional firme, respeitando os limites constitucionais e a necessidade de preservar a democracia. Segundo ele, o processo ocorrerá com total transparência, respeitando o devido processo legal.

STF sob pressão internacional

A aplicação de sanções a um magistrado da mais alta corte do país é um evento raro e, segundo especialistas do meio jurídico, sem precedentes no cenário brasileiro. Embora os efeitos práticos das medidas sejam limitados — como congelamento de bens e restrição de entrada nos EUA — o gesto teve grande repercussão política e diplomática.

Para o Supremo, a ação americana levanta preocupações sobre interferência externa no funcionamento da Justiça brasileira. Nos bastidores da Corte, ministros consideram que o gesto é parte de uma movimentação internacional que busca questionar a legitimidade do processo democrático conduzido no Brasil após os eventos de 2023.

O clima entre os ministros é de coesão em torno da defesa institucional da Corte. Há, inclusive, expectativa de que outras manifestações públicas sejam feitas nos próximos dias, reforçando a unidade do STF diante dos ataques externos.

A continuidade dos trabalhos

Alexandre de Moraes ressaltou que a Corte seguirá sua agenda, inclusive com o julgamento de casos relacionados a desinformação, ataques à democracia e ameaças a autoridades públicas. Para ele, o papel do STF é justamente proteger o Estado de Direito, mesmo diante de pressões e tentativas de intimidação.

“Vamos continuar exercendo a função jurisdicional com responsabilidade, equilíbrio e firmeza. O Supremo não se curva diante de pressões políticas, nacionais ou internacionais. A Constituição será o nosso guia, como sempre foi”, concluiu o ministro.

A reafirmação do compromisso institucional ocorre em um momento crucial para o Judiciário brasileiro, que vive sob forte escrutínio público e enfrenta desafios constantes vindos de diferentes frentes políticas. A expectativa é de que os próximos meses sejam marcados por decisões de grande impacto e intensa repercussão, com o Supremo no centro do debate sobre o futuro da democracia no país.

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