Frente de confronto político cresce no parlamento, refletindo tensão sobre aprovação de medidas e desgaste da imagem do presidente
Uma nova guerra com o Congresso parece estar se intensificando, após pesquisa Genial/Quaest revelar que 46% dos deputados federais avaliam negativamente o governo Lula – o pior índice desde 2023.

Apenas 27% dos parlamentares têm impressão positiva da administração petista, e 57% consideram baixas as chances de aprovação da agenda presidencial. Trata‑se de um sinal claro de que a relação Executivo‑Legislativo está no limite e que o embate no plenário pode crescer ainda mais.
Retrocesso na confiança parlamentar
Conforme o levantamento, realizado entre 7 de maio e 30 de junho, houve mudança significativa em relação a pesquisas anteriores. Em maio de 2024, o Congresso estava dividido (47% acreditavam em chances altas de aprovação, 47% em chances baixas). Agora, 57% dos deputados veem o futuro da pauta governista com otimismo reduzido, enquanto apenas 36% continuam confiantes.
- Leia mais: Paulo Martins admite que pode disputar o governo do Paraná em 2026 e negocia ida ao Partido Novo
A avaliação negativa do governo Lula saltou de 42% para 46%, enquanto a visão positiva despencou de 32% para 27% — o menor patamar desde o início do mandato presidencial.
Nos estratos ideológicos independentes e de centro, o desgaste foi mais forte: entre os independentes, a avaliação negativa subiu de 44% para 65%; já os centristas passaram de 38% para 49% de desaprovação.
Lula perde terreno político no Congresso
O clima de conflito se agrava: 51% dos deputados consideram que Lula agora tem uma relação ruim com o Congresso (um salto de 41% em 2023). Apenas 18% avaliam o relacionamento como bom. Esse indicador demonstra que o Executivo passa por um momento de isolamento institucional – um terreno fértil para a emergência de bloqueios à sua agenda.
Neste cenário de tensão institucional, metade dos congressistas acredita que um candidato da oposição será o próximo presidente (50%), enquanto apenas 35% apostam na reeleição de Lula, embora 68% acreditem que ele irá concorrer.
Oposição cresce e desafia Lula
A pesquisa também mostrou um fortalecimento da oposição. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), desponta como favorito da oposição em 2026, com 49% das menções espontâneas — aumento significativo em relação ao ano passado (39%). Bolsonaro, inabilitado, aparece em segundo, com 13%, seguido por Michelle Bolsonaro (6%).
Esse fortalecimento da oposição reflete diretamente no endurecimento das votações: o Congresso já derrubou o decreto do IOF, e 70% dos parlamentares rejeitam propostas do governo, como mudança na escala 6×1, indicando que a guerra institucional é uma realidade concreta.
Impacto nas propostas do governo
As iniciativas governistas estão sob ataque. A aprovação de projetos importantes está ameaçada por falta de apoio e articulação. A votação do IOF, a revisão da Tarifa Externa Comum, e medidas sobre investimentos e segurança pública enfrentam rejeição crescente.
A pesquisa mostra que 88% dos deputados apoiam elevar a faixa de isenção do Imposto de Renda — um dos raros pontos de consenso. Já o veto a supersalários tem 53% de rejeição, e o fim da escala 6×1 é desaprovado por 70%.
Raio‑x por orientação ideológica
A análise por grupo político revela polarização profunda:
-
Base do governo: 71% de avaliação positiva – ainda sólida, mas em leve recuo;
-
Oposição: 96% de avaliação negativa – coesa no combate a Lula;
-
Independentes e centro: revelam fragilidade na confiança, com maioria negativa.
Regionalmente, apenas o Nordeste mantém avaliação equilibrada (37% positiva), enquanto Sul (57%), Sudeste (51%) e Centro‑Oeste/Norte (47%) são marcadamente críticos.
Repercussões e o futuro da guerra institucional
A fragilização de Lula no Congresso indica que ele perderá fôlego para aprovar reformas estruturais e avançar em sua agenda econômica. A oposição se prepara para desgastá-lo em votações estratégicas, em especial no âmbito fiscal e tributário.
Essa guerra com o Congresso deve crescer em intensidade com o calendário eleitoral de 2026. Deputados, principalmente do centrão, já se posicionam mais ao lado de figuras oposicionistas — o que poderá levar a Lula a endurecer o estilo de articulação ou buscar acordos pontuais.
Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!





