“Hell Is Us”, a nova aposta da Rogue Factor, desafia convenções ao transportar o jogador para Hadea, um país fictício marcado por conflitos e monstros. Publicado pela Nacon, o jogo abandona os guias tradicionais e convida à exploração intuitiva, exigindo paciência e atenção aos detalhes. Prepare-se para uma jornada intensa que questiona os limites da interação digital.
A trama mergulha em um cenário de guerra civil e desespero, onde criaturas sombrias, as Entidades Límbicas, são manifestações da dor. No papel de Remi, o jogador retorna a Hadea e precisa desvendar mistérios em meio ao caos. A ausência de um protagonista falastrão intensifica a imersão no ambiente opressor.
A exploração é a alma de “Hell Is Us”. A ausência de mapas e marcadores de missão força o jogador a confiar em sua bússola e nas pistas do ambiente. Essa abordagem recompensadora gera momentos de grande satisfação ao desvendar enigmas intrincados e conectar informações dispersas.
Contudo, a liberdade tem seus limites. Hadea, apesar de sua atmosfera envolvente, revela-se segmentada em áreas lineares, restringindo a amplitude da exploração. Barreiras artificiais, como cercas e rios rasos, interrompem o fluxo, contrastando com a liberdade encontrada em jogos como “Elden Ring”.
O sistema de combate, que mescla elementos de “Dark Souls” e “Nioh”, apresenta potencial, mas peca pela repetição. As Entidades Límbicas, apesar de suas formas perturbadoras, carecem de variedade, e as execuções violentas parecem destoar da mensagem de empatia presente na narrativa.
A investigação assume um papel central, com enigmas que exigem atenção a documentos, símbolos e histórias locais. A resolução de puzzles pode envolver longas jornadas em busca de informações, proporcionando uma imersão única, mas alguns desafios podem parecer arbitrários e frustrantes.
“Hell Is Us” é uma crítica contundente ao autoritarismo e às consequências da guerra. O país fictício ecoa conflitos reais, expondo genocídios, manipulação religiosa e propaganda estatal. Em contrapartida, o jogo celebra atos de bondade, com missões que ressaltam a importância da humanidade em meio à destruição.
Visualmente, o jogo impressiona com cenários marcantes, como o Lago Cynon e o Museu Auriga. Cada área possui uma identidade própria, que reforça a sensação de um país marcado pela história e pela tragédia. A direção de arte, comparável a “Pathologic”, mistura o familiar e o estranho de forma magistral.
“Hell Is Us” é uma experiência que exige paciência e curiosidade. Para aqueles que buscam uma ação incessante, o jogo pode parecer monótono. No entanto, para os que apreciam mundos densos e narrativas políticas, é uma joia rara que desafia as convenções.
Em suma, “Hell Is Us” não é para todos, mas é para aqueles que valorizam experiências autênticas e desafiadoras. Em meio a monstros, enigmas e um país em guerra, o jogo nos lembra que salvar o mundo pode começar com um gesto de empatia.
**Veredito:** Um jogo ousado e imersivo que desafia as convenções, recompensando a paciência e a curiosidade do jogador.
**Nota: 8/10**










