Um diploma de ensino superior no Brasil continua a ser um importante passaporte para melhores oportunidades e salários significativamente mais altos. Segundo o relatório *Education at a Glance 2025*, da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), brasileiros com ensino superior completo podem ganhar até 148% a mais do que aqueles com apenas o ensino médio. Este cenário, contudo, esconde desafios persistentes no acesso e permanência no ensino superior.
Apesar do atrativo salarial, o estudo revela um índice preocupante de evasão. Um em cada quatro estudantes abandona o curso superior já no primeiro ano, levantando questões sobre a adequação dos programas e o apoio oferecido aos alunos. A baixa taxa de conclusão impacta diretamente o número de jovens adultos com ensino superior completo: apenas 24% na faixa etária de 25 a 34 anos, bem abaixo da média de 49% observada nos países da OCDE.
“As altas taxas de evasão no primeiro ano podem sinalizar um descompasso entre as expectativas dos alunos e o conteúdo ou as exigências de seus programas”, aponta o relatório. A OCDE enfatiza a necessidade de melhor orientação profissional e apoio aos estudantes desde o ensino médio, além de programas mais flexíveis e inclusivos.
A pesquisa também destaca que o Brasil investe menos por aluno no ensino superior em comparação com a média da OCDE: US$ 3.765 contra US$ 15.102. Embora o investimento como proporção do PIB seja similar, a diferença no montante absoluto pode influenciar a qualidade e os recursos disponíveis para os estudantes.
O secretário-geral da OCDE, Mathias Cormann, ressalta que a baixa conclusão do ensino superior “prejudica o retorno do investimento público, agrava a escassez de competências e limita o acesso a oportunidades”. Para ele, é crucial expandir o acesso ao ensino superior e aumentar a qualidade e relevância da educação oferecida, de forma a garantir que mais brasileiros possam se beneficiar das vantagens de um diploma.










