O curador de cinema carioca Gustavo Scofano descreveu em detalhes o terror que viveu durante o descarrilamento do Elevador da Glória, um dos pontos turísticos mais emblemáticos de Lisboa. Em entrevista ao programa Fantástico, Scofano relatou ter tido a “sensação clara, muito clara, de que ia morrer” ao ver o bonde descontrolado se aproximando. O acidente, ocorrido na última quarta-feira, resultou em 16 mortes e deixou vários feridos.
Scofano, que passava pelo local, normalmente evitado por ser muito turístico, descreveu a cena caótica. “Houve um estrondo grande. Olho para frente e vejo o bondinho vindo na minha direção, mas na diagonal”, relatou. Em um ato de instinto, ele se jogou no chão, escapando por pouco de ser esmagado, mas sendo atingido por detritos e ficando coberto de sangue.
Após ser socorrido e levado ao hospital, Scofano recebeu atendimento médico para suturar os ferimentos. No entanto, ele enfatiza que a principal cicatriz é a psicológica. “Acho que neste momento (a cicatriz) é essa sensação de pânico que não cessa e de uma angústia tremenda, enfim, e das imagens que ficam vindo”, disse, evidenciando o trauma persistente.
As investigações apontam para uma falha em um cabo como a causa do trágico acidente. Segundo relatório do Gabinete de Prevenção e Investigação de Acidentes com Aeronaves e de Acidentes Ferroviários (GPIAAF), o cabo que unia as duas cabines do elevador cedeu no ponto de fixação. O Elevador da Glória, com seus dois vagões amarelos, opera através de um sistema de contrapeso em um desnível acentuado.
Entre as vítimas fatais, encontram-se cidadãos de diversas nacionalidades, incluindo portugueses, britânicos, canadenses, sul-coreanos, americanos, franceses, suíços e ucranianos. Um cidadão alemão, inicialmente dado como morto, foi posteriormente encontrado em um hospital de Lisboa. A tragédia abalou a cidade de Lisboa e gerou luto internacional.










