Guto Silva: o homem que pode carregar o legado de Ratinho Junior

Atual secretário das Cidades, ele fala sobre ações da pasta e o futuro como possível sucessor do governador Luiz Augusto da Silva, o Guto Silva (PSD), é hoje um dos principais nomes do núcleo duro do governo Ratinho Júnior (PSD). Atual secretário das Cidades, ele já comandou outras duas pastas estratégicas no primeiro e segundo mandatos: foi chefe da Casa Civil e secretário de Planejamento. Sua trajetória política inclui ainda dois mandatos como deputado estadual e o início da carreira como vereador de Pato Branco, em 2008. Com trânsito entre prefeitos, empresários e lideranças do interior, Guto tem se consolidado como possível nome para a sucessão estadual em 2026, principalmente em um cenário em que o governador busque o Palácio do Planalto, o que o faria antecipar sua sucessão no Paraná. Agora, no comando da Secretaria das Cidades, Guto tem papel central na interlocução com as 399 prefeituras do estaduais. Desde que assumiu o cargo, Guto passou a cuidar de programas como o Asfalto Novo, o Ilumina Paraná e o Casa Fácil. Ele também coordena a execução do Vida Nova, voltado à urbanização de áreas vulneráveis. O governo afirma que o programa Asfalto Novo é o maior da América do Sul em pavimentação urbana. Segundo o Estado, ele inclui drenagem, acessibilidade, calçadas e LED. Já o Ilumina Paraná prevê a troca de lâmpadas antigas por iluminação mais eficiente. O Casa Fácil atua na entrega de moradias a famílias de baixa renda, com foco em mulheres chefes de família, idosos e jovens em situação de vulnerabilidade. A atuação de Guto na pasta é considerada estratégica, por reunir repasses diretos a municípios e grande visibilidade junto aos prefeitos. A expectativa do Palácio Iguaçu é de que ele ajude a ampliar a base política do governo até o fim de 2026. Em entrevista exclusiva ao Politiza, Guto Silva destacou as conversas para uma eventual disputa ao Palácio Iguaçu, os planos de Ratinho Junior para disputar a presidência e as ações desenvolvidas na Secretaria das Cidades. Ao ser questionado se era o sucessor de Ratinho Junior no Paraná, Guto Silva afirmou que se sente orgulhoso de poder ser considerado como alguém que carregue o legado da atual administração paranaense, mas afirmou que não dá para “sofrer de ansiedade” já que a eleição é apenas no ano que vem. “Eu confesso que estou feliz e orgulhoso de poder ser considerado sucessor do Ratinho Junior. Eu participo desse governo desde o primeiro dia com muito orgulho. Fui secretário da Casa Civil, do Planejamento e agora das Cidades. Eu digo que esse projeto do Ratinho Junior, que ele chama de “Método Paraná”, eu digo que é uma filosofia de trabalho, uma forma de governar. Acredito que essa filosofia precisa avançar para consolidar esses conceitos na gestão pública. Esse método tem funcionado tão bem, que traz como consequência uma altíssima aprovação do governo, que impulsiona o governador para voos maiores. Então a gente sente o governo presente e a aprovação atestando essa aprovação. Obviamente tem um debate eleitoral, uma construção a ser feita. Governador já pontuou que time que está ganhando não se mexe, e nós pretendemos dar continuidade a esse trabalho iniciado pelo governador”, comenta Guto Silva. O secretário das Cidades também comentou a importância de ocupar um cargo de tamanho destaque na máquina estadual. “A cadeira é quente. É uma secretaria importante porque ela faz relação direta com as prefeituras e com as obras e investimentos que o estado tem feito em todo o Paraná. Ela te dá uma envergadura política muito forte e obviamente a posição te credencia a suceder o governador Ratinho Junior. Mas, com muita sinceridade, eu tô muito focado em poder entregar resultados. Se eu for um bom secretário das Cidades, naturalmente isso impulsiona voos maiores. O que for feito aqui vai ter impacto direto na vida de milhares de paranaenses, então eu tô muito focado aqui, mas obviamente respeitando o processo eleitoral e me concentrando na gestão da secretaria”, diz. Asfalto Novo Vida, Vida Nova e Casa Fácil Paraná Sobre os programas desenvolvidos hoje em sua pasta, Guto Silva destaca a importância de atender várias regiões ao mesmo tempo com novo asfaltamento e assegurando moradia digna para quem precisa. Leia mais: Fernando Francischini: da cassação inédita ao retorno à política “É o maior programa de urbanização da América do Sul, porque além do asfalto novo, vem calçadas, iluminação de LED e galerias pluviais. Nós vamos chegar a R$ 5 bilhões de reais investidos em pavimentação e urbanização em diversas cidades do estado. O objetivo é tirar toda a população do Paraná da poeira e da lava, evitando doenças respiratórias, que a dona de casa não precise lavar três vezes a mesma roupa de cama e garantindo dignidade e justiça social também. Em agosto nós lançaremos a última fase, que é de 100 mil habitantes, até a nossa capital”. Já sobre as ações de moradia, Guto Silva relembra que o Paraná tem envelhecido cada vez mais. “O último censo do IBGE já aponta que logo logo teremos mais idosos do que crianças. Ou seja, o Paraná passa por um processo de envelhecimento e obviamente nós precisamos desenhar novas políticas públicas de atendimento e acompanhamento ao idoso. O Paraná foi reconhecido pela OMS como único estado do Brasil amigo do idoso. E o Casa Fácil, Vida Nova 3ª idade busca permitir que esse aposentado tenha o seu cantinho, a sua vida digna com uma casa própria. A forma que a gente encontrou, foi aportar R$ 60 mil de entrada, geralmente o banco financia e aí naturalmente essa parcela fica bem abaixo de um aluguel. Obviamente esse imóvel também passa para a família como herança. Sem contar os benefícios de poder acolher quem já produziu e trabalhou e que não pode ter o seu cantinho”. PSD em negociações internas para escolha do sucessor Apesar de deixar pública a sua vontade de disputar o governo do Paraná, Guto tem ainda que convencer toda a cúpula do PSD desse sonho, isso porque aparecem também como
Alexandre de Moraes é definido como relator da derrubada do IOF

Barroso redireciona ação do PSOL ao STF, reforçando a influência de Moraes em disputa entre Executivo e Legislativo. O ministro do STF, Alexandre de Moraes, foi definido como definido como relator da derrubada do IOF (ação movida pelo PSOL), numa decisão do presidente do STF, Luís Roberto Barroso, nesta segunda‑feira (30). A mudança, comunicada publicamente via despacho, espelha a tensão crescente entre o Judiciário, o Congresso e o governo Lula por conta do conflito tributário envolvendo o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF). Redes e regimento: por que Moraes assumiu O caso foi inicialmente sorteado para Gilmar Mendes. No entanto, Mendes solicitou a redistribuição, apontando que Moraes já atua em processo similar movido pelo PL contra os decretos do Executivo sobre o IOF. Barroso, alinhado ao regimento interno do STF, explicou que “quando há coincidência total ou parcial de objetos, aplica-se a regra de prevenção” — por isso, entregou o processo a Moraes, evitando decisões conflitantes. O que está em jogo na ADI do PSOL Protocolada na sexta-feira (27), a Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) com pedido cautelar questiona a constitucionalidade da derrubada pelo Congresso da tentativa de aumento do IOF. O PSOL argumenta que a prerrogativa de alterar tributos cabe exclusivamente ao Executivo, e que o Legislativo, ao sustar o decreto, teria excedido suas atribuições legais (Art. 49, V, da Constituição). Na última quarta (25), Câmara e Senado aprovaram iniciativa conjunta que suspendeu todos os decretos presidenciais que elevaram o IOF desde maio. A manobra, articulada pela oposição, resultou na anulação das medidas governamentais. O aval de socorro laboral e previdenciário pelo Executivo encontrou resistência inédita no Congresso, evidenciada pelo placar expressivo de deputados e senadores contrários à ampliação do imposto. Leia mais: Lula assume presidência do Mercosul em clima de tensão com Milei Com Alexandre de Moraes à frente da relatoria, cresce a expectativa sobre o rumo da ação. Ele terá poder decisório sobre pedidos de liminar — que podem suspender a decisão do Congresso e permitir a reedição do imposto — e influenciará o posicionamento majoritário do STF. A definição de relatoria não apenas concentra em Moraes, mas também pressiona o Legislativo diante da repercussão constitucional. Repercussões para o governo Lula Para o Planalto e sua base no Congresso, a avaliação é que a fixação de Moraes como relator representa um ganho institucional, pois fortalece a tese da exclusividade do Executivo na definição de alíquotas tributárias. Nesse cenário, o governo vê na decisão uma oportunidade para recuperar o incremento de receita previsto — estimado em R$ 7 bilhões — e enfrenta a possibilidade de ter parte do orçamento reativado, incluindo emendas parlamentares bloqueadas. Advogados e constitucionalistas afirmam que a forma e o timing da redistribuição do processo sinalizam preocupação com a coerência jurisprudencial do tribunal. Moraes, reconhecido por atuação assertiva, pode acelerar julgamentos sobre tributos, afetando não apenas o IOF, mas também futuros embates fiscais entre Executivo e Legislativo. O que falta decidir Ainda está pendente a decisão do plenário sobre a ação cautelar solicitada pelo PSOL. Cabe agora à relatoria definir se concede suspensividade imediata à derrubada do decreto do IOF ou se aguarda julgamento definitivo. Acompanhado por partidos como o PL, que argumentam em favor do Executivo, Moraes terá papel central em estabilizar ou modificar a dinâmica fiscal. A expectativa é que os embates jurídicos ocorram ainda nos próximos dias, já que o governo conta com os recursos dos aumentos previstos para cumprir metas fiscais. O Supremo deve marcar sessões para análise da ADI — possivelmente ainda em julho — e deputará mais pressão sobre Moraes para uma decisão rápida. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Lula assume presidência do Mercosul em clima de tensão com Milei

Aliado à integração regional e crítico do ultraliberalismo argentino, Lula herda o comando do bloco econômico em meio a impasses comerciais e climáticos. O presidente Lula assume presidência do Mercosul Mercosul, em um momento em que o bloco passa por turbulências internas e externas. A transferência de comando será feita pelo presidente argentino, Javier Milei, um crítico declarado tanto do Mercosul quanto de Lula. O reencontro entre os dois líderes, com histórico recente de trocas de farpas e visões antagônicas sobre a integração sul-americana, ocorre durante a 66ª Cúpula de Chefes de Estado do bloco econômico. Clima de tensão marca encontro com Milei Este será o primeiro encontro oficial entre Lula e Milei desde que o argentino tomou posse. Os dois apenas se cumprimentaram brevemente durante o G20, no fim do ano passado, no Rio. A relação é marcada por ataques públicos de Milei, que considera o Mercosul uma “trava ao livre comércio” e já ofendeu diretamente o presidente brasileiro durante a campanha. Leia mais: Deputado Tito Barichello e vereador Guilherme Kilter pedem cassação de Renato Freitas por invasão a supermercado Para Lula, o Mercosul é estratégico. Ele o vê como um pilar fundamental da política externa do Brasil e como peça-chave para garantir estabilidade comercial e política na região. A troca de comando, portanto, não será apenas simbólica: representará um embate de projetos de integração regional diametralmente opostos. Pauta ambiciosa: integração, indústria e meio ambiente Ao assumir a presidência rotativa até dezembro, Lula leva uma pauta extensa e ambiciosa para a mesa de negociações. Entre os principais focos, estão: Avançar nas negociações com a União Europeia, que se arrastam há mais de duas décadas, mas ganharam impulso recentemente. Reformar a Tarifa Externa Comum, com o objetivo de torná-la mais competitiva e ajustada à realidade atual do comércio internacional. Fortalecer a indústria regional, especialmente nos setores automotivo e de açúcar, buscando atrair investimentos e garantir segurança jurídica. Lançar o “Mercosul Verde”, programa voltado à promoção da agricultura de baixo carbono e à valorização ambiental do bloco. Intensificar a cooperação em segurança pública, focando no combate às facções criminosas nas fronteiras. Reforçar a participação social, com políticas voltadas a direitos humanos, igualdade de gênero e inclusão de povos tradicionais. Milei representa o maior desafio interno A condução da presidência do Mercosul exigirá de Lula habilidade para lidar com divergências internas, especialmente com Milei. O argentino tem buscado alternativas bilaterais fora do bloco e tenta reduzir o protagonismo do Mercosul, em linha com sua agenda ultraliberal. O desafio também se estende a outros temas, como a consolidação da entrada da Bolívia, que precisa se adaptar às normas do bloco até 2028, e à resistência política ao “Mercosul Verde”, sobretudo vinda de setores conservadores. Brasil tem muito a ganhar com o bloco Apesar das dificuldades, a relevância do Mercosul para a economia brasileira é evidente. De janeiro a maio de 2025, o comércio intrabloco movimentou US$ 17,5 bilhões, resultando em um superávit de US$ 3 bilhões para o Brasil. O destaque vai para as exportações de produtos industrializados, que representam cerca de 95% das vendas para a Argentina, garantindo empregos e impulsionando a indústria nacional. Diplomacia testada: Lula x Milei Este ciclo da presidência rotativa será um teste diplomático para Lula. O petista já demonstrou ter experiência em lidar com divergências políticas no plano internacional. Mas, desta vez, o confronto de ideias com Milei é mais direto, com ataques recentes que extrapolaram o debate econômico. Ainda assim, o presidente brasileiro aposta no pragmatismo para manter a coesão do bloco e buscar avanços concretos. A aposta do Planalto é de que, mesmo com divergências ideológicas, há espaço para cooperação prática — principalmente em temas como comércio, segurança e meio ambiente. A presidência rotativa do Mercosul entregue a Lula não será apenas um cargo simbólico. Ela carrega uma disputa de projetos de integração regional, um embate com Milei e a expectativa de avanços em negociações históricas. Se bem conduzido, o período pode reafirmar o protagonismo do Brasil na América do Sul e reposicionar o bloco no cenário global. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!