Parlamentares relatam descontos indevidos em aposentadorias e pedem investigação

Deputado Paulinho da Força e senador Jayme Campos dizem ter sido vítimas de esquema alvo de operação da PF e da CGU Dois parlamentares aposentados pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) afirmam ter sido vítimas de um esquema de descontos ilegais em seus benefícios. O deputado federal Paulinho da Força (Solidariedade-SP) e o senador Jayme Campos (União Brasil-MT) relataram que tiveram valores descontados mensalmente de suas aposentadorias sem autorização expressa, em favor de entidades sindicais e associativas. As denúncias ocorrem poucos dias após uma operação conjunta da Polícia Federal e da Controladoria-Geral da União (CGU), deflagrada no dia 23 de abril, que apura um suposto esquema de inclusão indevida de filiações a entidades de classe, com a consequente cobrança automática de mensalidades no contracheque de aposentados e pensionistas da Previdência Social. De acordo com a investigação, servidores do INSS teriam atuado em conluio com organizações privadas para inserir autorizações falsas de desconto no sistema. Estima-se que o esquema tenha movimentado cerca de R$ 60 milhões entre 2020 e 2023. “Nunca autorizei”, diz Paulinho Paulinho da Força, que também é sindicalista e fundador da Força Sindical, ficou surpreso ao constatar que há mais de dois anos vem tendo um desconto mensal de R$ 81,57 destinado ao Sindicato Nacional dos Aposentados, Pensionistas e Idosos da Força Sindical (Sindnapi). “Eu só fui verificar o desconto após sair na imprensa. Nunca tinha percebido, mas os descontos acontecem há dois anos”, disse em entrevista à CNN Brasil. Leia mais: Ministro Haddad cobra punição exemplar para fraudes no INSS: “enojou o país” O Sindnapi, embora tenha origem ligada à Força Sindical, atualmente é presidido por Milton Cavalo, dirigente do PDT e aliado político do ministro da Previdência, Carlos Lupi. Desde o início de 2024, Frei Chico, irmão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), assumiu a vice-presidência da entidade. Procurado pela imprensa, o Sindnapi respondeu, por meio de nota, que Paulinho da Força “segue como associado da entidade” e que “não há registro de pedido de desfiliação por parte dele”. Senador também relata desconto indevido O senador Jayme Campos (União Brasil-MT), que também recebe aposentadoria pelo INSS, afirmou ter identificado situação semelhante. Assim como Paulinho, ele nega ter autorizado qualquer tipo de filiação ou desconto. “Já tinha assinado o pedido da CPMI, independentemente de saber do meu desconto. É um absurdo lesar o aposentado. Eu, que tenho informação, nunca me preocupei em olhar. Foi após a operação que meu contador foi verificar e encontrou os descontos. É desonestidade, é um escândalo no país inteiro”, explicou o senador. Pressão por uma CPI mista Diante das denúncias e da operação da PF, parlamentares da oposição e da base governista começaram a se mobilizar para instalar uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) com o objetivo de aprofundar a investigação sobre os descontos indevidos. O pedido já foi protocolado no Congresso Nacional e conta com as assinaturas necessárias para análise da Mesa Diretora. A criação da CPMI ainda precisa ser lida em sessão conjunta do Congresso Nacional para ser oficialmente instalada. Caso avance, a comissão reunirá deputados e senadores com poderes de investigação, podendo convocar autoridades, requisitar documentos e ouvir testemunhas. Esquema pode ter atingido milhões de aposentados Segundo dados da CGU, o esquema pode ter afetado milhões de beneficiários. Só em 2023, foram registrados mais de 1,2 milhão de descontos mensais relacionados a entidades sindicais ou associativas. Em muitos casos, o aposentado só descobre o desconto ao acessar seu extrato previdenciário detalhado. A operação da PF apreendeu documentos e computadores em sedes de sindicatos e associações, além de cumprir mandados de busca e apreensão em diversos estados. O Ministério da Previdência ainda não se pronunciou oficialmente sobre o envolvimento de servidores do INSS, mas determinou a abertura de uma apuração interna. Enquanto isso, aposentados e pensionistas de todo o país são orientados a verificar seus contracheques para identificar eventuais descontos não autorizados. Em caso de irregularidade, é possível solicitar o cancelamento junto ao Meu INSS. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
Ministro Haddad cobra punição exemplar para fraudes no INSS: “enojou o país”

Haddad cobrou uma resposta dura do Estado e classificou o episódio como um escândalo que exige punição exemplar O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, não poupou palavras ao comentar o esquema de fraudes bilionárias revelado no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) nos últimos dias. Para o titular da pasta econômica, a gravidade dos crimes investigados pela Polícia Federal é tamanha que “enojou o país inteiro”. A declaração foi feita em entrevista ao Portal UOL. A fala ocorre no rastro da Operação Falso Egide, deflagrada pela Polícia Federal há duas semana em conjunto com a Controladoria-Geral da União (CGU) e o próprio INSS. A investigação revelou a existência de um esquema de concessão fraudulenta de benefícios por incapacidade, com a participação de servidores públicos que cobravam propina para liberar os auxílios. Segundo os investigadores, o rombo causado aos cofres públicos pode ultrapassar R$ 1 bilhão. Leia mais: STF forma maioria para condenar Carla Zambelli a 10 anos de prisão e perda do mandato O ministro também lamentou que práticas como essa ainda ocorram dentro de instituições fundamentais do Estado. “É um escândalo mesmo. O que tem de mais sagrado é a pessoa trabalhar a vida inteira e depois conseguir a sua aposentadoria, a sua pensão dignamente. Uma pessoa focar nesse público para levar vantagem? A partir de um crime? É uma coisa indigna num grau, realmente acho que enojou o país inteiro. Eu desejo e acredito que isso vá acontecer, que essas pessoas vão ser presas e vão cumprir uma pena que, a meu ver, deve ser exemplar”, acrescentou. Segundo as autoridades, a investigação teve início após denúncias internas e cruzamento de dados do sistema previdenciário. Os benefícios por incapacidade – como aposentadorias por invalidez e auxílios-doença – estavam sendo concedidos com base em laudos médicos forjados ou emitidos com a anuência de servidores que integravam o esquema. Operação resultou na queda de ministro A operação cumpriu 47 mandados de busca e apreensão em 11 estados e no Distrito Federal. Foram identificados indícios de participação de médicos peritos, servidores administrativos do INSS e intermediários que atuavam como atravessadores entre os beneficiários fraudulentos e os agentes públicos. A repercussão no meio político foi imediata e levou a demissão do então ministro da Previdência, Carlos Lupi. O caso já é visto como um fator acirrador para os debates sobre a reforma administrativa e a necessidade de modernização dos mecanismos de controle no serviço público. Para Haddad, a fraude é um golpe duplo: contra o erário e contra o cidadão comum que contribui com o INSS e depende do sistema. “Nós temos que fazer um balanço do que efetivamente não foi autorizado, porque o desconto autorizando está OK. Nós temos que saber exatamente o valor da fraude e temos que saber se os valores bloqueados das associações pagam a fraude”, concluiu. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!
EUA e China anunciam trégua nas tarifas por 90 dias

Acordo provisório derruba tarifas bilaterais por 90 dias e evita escalada de retaliações Depois de semanas de tensão, EUA e China reduziram tarifas sobre importações por um período inicial de 90 dias. O anúncio foi feito nesta segunda-feira (12) pelo secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent Com o acordo, os Estados Unidos cortam suas tarifas sobre produtos chineses de 145% para 30%. Já a China reduz as taxas sobre mercadorias americanas de 125% para 10%. Negociação na Suíça O entendimento foi fechado após um encontro entre representantes dos dois países no domingo (11), na Suíça. Participaram das conversas Scott Bessent e o representante comercial dos EUA, Jamieson Greer. “Ambos os países representaram bem seus interesses nacionais”, afirmou Bessent. “Temos um objetivo comum: construir um comércio equilibrado.” Leia mais: Papa pede paz na Ucrânia e cessar-fogo em Gaza em sua primeira oração de domingo Segundo ele, as delegações chegaram a um consenso: nenhum dos lados quer romper relações comerciais. “As tarifas altas estavam criando uma barreira quase total. Nenhum dos dois países deseja isso.” Como começou o conflito A disputa teve início em abril, quando o então presidente dos EUA, Donald Trump, anunciou um pacote de tarifas sobre importações de mais de 180 países. A China foi a mais atingida: além dos 20% já em vigor, passou a sofrer uma tarifa extra de 34%, totalizando 54%. Em resposta, a China impôs tarifas de 34% sobre produtos americanos em 4 de abril. O governo dos EUA retaliou e deu um ultimato: se os chineses não recuassem até o dia 8 de abril, uma nova elevação seria aplicada. Como Pequim manteve sua posição e prometeu revidar, Trump aumentou as tarifas para 125%, além da alíquota de 20% anterior. A taxa total atingiu 145%. A China respondeu à altura, também elevando suas tarifas para 125%. Uma pausa estratégica Mesmo após esse ciclo de retaliações, os dois lados sinalizaram disposição para dialogar. Ainda em 9 de abril, Trump anunciou uma pausa no tarifaço global, mas manteve a China como exceção. Agora, com o novo acordo, ambos os governos sinalizam um recuo estratégico. A trégua pode abrir espaço para um entendimento mais amplo nas próximas semanas. Fique por dentro das notícias políticas também no instagram. Clique aqui!