China atinge 104% em tarifas após novo aumento de Trump

Trump impõe nova taxa após fim de prazo para que Pequim recuasse de tarifas retaliatórias Os EUA impõem tarifa contra a China de 50% a partir desta quarta-feira (9). A decisão veio após o governo chinês ignorar o ultimato de Donald Trump. O presidente havia exigido o recuo de tarifas retaliatórias de 34%, impostas por Pequim na semana passada. No total, agora a China acumula 104% em tarifas. Trump estabeleceu prazo até as 13h (horário de Brasília) desta terça-feira (8). Como a China não cedeu, os Estados Unidos confirmaram a nova medida horas depois. Segundo a Reuters, a tarifa entra em vigor às 03h01 desta quarta-feira, também no horário de Brasília. Nova escalada na guerra comercialAlém da nova tarifa, a cobrança “base” anunciada na semana passada também passa a valer nesta quarta. A medida foi revelada durante o chamado “Dia da Libertação” de Trump, um evento político promovido pelo ex-presidente. Assim, os EUA impõem tarifa contra a China mesmo com protestos do governo chinês. Pequim reagiu acionando a Organização Mundial do Comércio (OMC) nesta terça-feira (8). O país pediu consultas formais sobre o que chama de “tarifas recíprocas” adotadas pelos americanos. China questiona legalidade das taxasSegundo a OMC, a China argumenta que as tarifas violam regras do comércio internacional. O país cita o Acordo Geral sobre Tarifas e Comércio (GATT), o Acordo sobre Valoração Aduaneira e o Acordo sobre Subsídios. Pequim também afirma que as medidas são protecionistas, discriminatórias e ameaçam o sistema multilateral de comércio baseado em regras. A solicitação de consultas permite que os países tentem resolver a disputa antes de levar o caso a julgamento. Soluções diplomáticas ainda são possíveisO prazo para essas conversas é de 60 dias. Se não houver acordo nesse período, a China poderá solicitar a abertura de um painel de arbitragem dentro da OMC. Apesar da escalada, o canal diplomático segue aberto — por ora. Enquanto isso, a decisão dos EUA de impor tarifa contra a China marca mais um capítulo tenso na disputa comercial entre as duas maiores economias do mundo
PGR denuncia ministro de Lula por desvio de emendas

Procuradoria acusa Juscelino Filho de corrupção e lavagem de dinheiro em esquema com empresas de fachada A Procuradoria-Geral da República (PGR) denunciou Juscelino Filho, ministro das Comunicações, por envolvimento em um suposto esquema de desvio de emendas parlamentares. A operação teria sido articulada por meio da Codevasf, a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba. Em junho, a Polícia Federal já havia indiciado o ministro. Ele foi acusado por corrupção passiva, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa. Agora, a denúncia foi encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Flávio Dino. Próximos passos no STFCom a denúncia formalizada, Flávio Dino abrirá prazo para que a defesa de Juscelino se manifeste. Depois disso, a própria PGR apresenta nova manifestação. Em seguida, o processo pode ser julgado pela Primeira Turma do STF. Também fazem parte do colegiado os ministros Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Luiz Fux e Cristiano Zanin. Primeiro ministro denunciado no governo LulaJuscelino Filho é o primeiro ministro do governo Lula formalmente denunciado pela PGR. Em junho, o presidente declarou que o ministro permaneceria no cargo enquanto fosse apenas indiciado. No entanto, Lula também afirmou que afastaria Juscelino em caso de denúncia formal. Esquema envolve cidade comandada por irmã do ministroAs investigações apontam que, quando era deputado federal, Juscelino destinou emendas ao município de Vitorino Freire (MA). Na época, a cidade era administrada por sua irmã. Além disso, a PGR suspeita que ele tenha recebido propina por meio de empresas de fachada.
Exército da Coreia do Norte cruza demarcação militar
Militares norte-coreanos invadem zona desmilitarizada; exército do Sul reage com tiros de alerta O exército da Coreia do Sul disparou tiros de advertência nesta terça-feira (8) após soldados norte-coreanos cruzarem a linha de demarcação militar na Zona Desmilitarizada (DMZ). O incidente ocorreu por volta das 17h, no horário local, segundo informou o Estado-Maior Conjunto (JCS). De acordo com os militares sul-coreanos, cerca de dez soldados do Norte ultrapassaram a linha na região leste da DMZ. Em resposta, o exército transmitiu alertas por rádio e efetuou disparos para forçá-los a recuar. Pouco depois, os soldados voltaram ao lado norte-coreano. Alguns dos militares invasores estavam armados. Mesmo assim, o comando sul-coreano acredita que a incursão pode ter sido acidental. Segundo fontes militares citadas pela agência Yonhap, os soldados realizavam reconhecimento antes de iniciar trabalhos planejados no local. Essa não foi a primeira movimentação incomum. Na segunda-feira (7), a Coreia do Sul relatou cerca de 1.500 soldados do Norte operando na DMZ, instalando arame farpado e realizando trabalhos em terra. Ao mesmo tempo, Pyongyang conduzia exercícios militares nas proximidades. Desde junho de 2024, pelo menos três episódios semelhantes foram registrados. O número crescente de cruzamentos levanta preocupações sobre uma possível escalada. Diante do cenário, o presidente interino Han Duck-soo reforçou, na última sexta-feira (4), que o governo manterá vigilância total. A declaração foi feita após a destituição do presidente Yoon Suk Yeol pelo Tribunal Constitucional. Vale lembrar que as duas Coreias continuam tecnicamente em guerra. O conflito de 1950 a 1953 terminou com um armistício, não com um tratado de paz.
China endurece contra tarifas dos EUA e chama de chantagem
Governo chinês tem até as 13h para voltar atrás de tarifas retaliatórias; EUA prometem mais tarifas Enquanto diversos países buscam acordos com os Estados Unidos, a China reage às tarifas com firmeza. O governo chinês deixou claro que não aceitará ameaças e está pronto para contra-atacar. Na terça-feira (8), o Ministério do Comércio prometeu medidas para proteger os interesses do país. “Se os EUA insistirem, a China resistirá até o fim”, afirmou a nota oficial. Retaliação imediata Menos de dois dias após Donald Trump anunciar novas tarifas, Pequim respondeu. A segunda maior economia do mundo impôs penalidades a produtos e empresas americanas. Além disso, veículos estatais reforçaram a mensagem: a China reage às tarifas com força e confiança. “O impacto existirá, mas o céu não vai cair”, publicou o jornal Diário do Povo, ligado ao Partido Comunista. O editorial destacou a resiliência do país desde o início da guerra comercial, em 2017. “Quanto mais pressão recebemos, mais fortes nos tornamos”, escreveu o jornal. EUA endurecem postura Na segunda-feira (7), Trump ameaçou aumentar ainda mais as tarifas. Ele prometeu uma nova taxa de 50% sobre importações chinesas, caso Pequim não recuasse. Além disso, o presidente americano suspendeu as reuniões solicitadas pela China. Na quarta-feira anterior, Trump já havia anunciado uma tarifa extra de 34%, elevando a carga total sobre produtos chineses para mais de 54%. Pequim revidou na sexta-feira (4), aplicando a mesma taxa sobre produtos dos EUA. Outras medidas incluíram controle de exportação de minerais raros e restrições comerciais. Estratégia chinesa em movimento Mesmo sob pressão, o governo de Xi Jinping busca transformar a crise em oportunidade. A retórica oficial tenta acalmar o público interno e, ao mesmo tempo, mostrar força ao mundo. Analistas avaliam que a China vê as ações de Trump como um erro estratégico. Para Pequim, os EUA prejudicam sua própria imagem e podem perder espaço na economia global. Segundo Ryan Hass, do Brookings Institution, há uma leitura comum na China: o mundo caminha para uma globalização sem os EUA, e Pequim quer liderar esse novo cenário. China se posiciona como alternativa Em meio às tensões, a China tenta se mostrar como um parceiro confiável. O Ministério das Relações Exteriores afirmou que o país manterá as portas abertas ao comércio internacional. No domingo (6), o vice-ministro Ling Ji recebeu executivos de 20 empresas americanas, como Tesla e GE HealthCare. Durante o encontro, afirmou que a China é um destino seguro e promissor para investimentos. Autoridades e economistas também ressaltaram que a guerra comercial pode abrir espaço para novas cadeias de produção. Para eles, essa é a chance de Pequim reformular sua economia. Mercados atentos ao impacto Mesmo com o discurso otimista, a China sabe que enfrentará desafios. As tarifas de Trump também afetam aliados dos EUA, como Japão, Coreia do Sul e União Europeia. A pressão aumentou especialmente no Sudeste Asiático. Países como Vietnã e Cingapura, grandes polos industriais, também foram atingidos pelas medidas americanas. O primeiro-ministro de Cingapura, Lawrence Wong, afirmou que o mundo vive uma mudança perigosa. “Entramos em uma era mais arbitrária e protecionista”, declarou no fim de semana. Medidas internas para conter os danos O governo chinês anunciou ações para estimular o consumo e mitigar os efeitos das tarifas. Segundo o Diário do Povo, novas políticas econômicas serão lançadas conforme a necessidade. Mesmo assim, analistas do Goldman Sachs estimam que a tarifa de 34% pode reduzir o PIB chinês em até 0,7 ponto percentual este ano. A expectativa é que Pequim acelere medidas de estímulo para atingir a meta de crescimento de 5%. No entanto, a retaliação rápida também elevou o risco de uma nova escalada. Com ambos os lados inflexíveis, o fim da disputa parece distante.