Lula passa mais de 100 dias sem receber sete ministros para reuniões privadas

Sete dos 38 ministros do governo federal não se reúnem individualmente com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) há mais de 100 dias, segundo registros da agenda oficial. A falta de encontros com o chefe do Executivo tem gerado insatisfação entre alguns integrantes do primeiro escalão, especialmente em meio à expectativa por uma reforma ministerial. A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, por exemplo, nunca participou de uma reunião privada com Lula desde que assumiu o cargo. Seu antecessor, Silvio Almeida, que deixou o ministério em setembro de 2024, teve seis audiências diretas com o presidente. O maior intervalo registrado é do ministro General Amaro (Gabinete de Segurança Institucional), que não tem uma audiência privada com Lula há 322 dias. Por outro lado, alguns ministros mantêm uma frequência alta de encontros com o presidente. O levantamento aponta que Fernando Haddad (Fazenda), Rui Costa (Casa Civil) e Alexandre Padilha (Relações Institucionais) estão entre os mais recebidos, refletindo a importância estratégica de suas pastas. Haddad, por exemplo, teve pelo menos 100 reuniões privadas com Lula desde o início do governo. Em 2025, Sidônio Palmeira (Secretaria de Comunicação) foi o ministro que mais se reuniu com o presidente, com 23 encontros registrados até agora. O aumento da presença de Palmeira na agenda presidencial ocorre no momento em que o governo intensifica esforços para conter a queda de popularidade de Lula, que pela primeira vez registrou índice de desaprovação superior a 50%. 4o
Governo age para evitar nova crise envolvendo o Pix

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) mobilizou sua equipe ministerial para conter uma nova crise de imagem relacionada ao Pix, após a divulgação de informações distorcidas sobre a nova instrução do Banco Central. O governo orientou seus integrantes a usarem as redes sociais para esclarecer a medida e produzir conteúdos explicativos para combater desinformação. Lula também deve gravar um vídeo para desmentir boatos que circulam em plataformas como X, Instagram e Facebook. A preocupação do Planalto surge após a recente polêmica envolvendo o Pix, quando fake news espalharam a falsa informação de que o serviço passaria a ser taxado, gerando forte reação popular. Desde quinta-feira (6), novas informações falsas passaram a circular, alegando que pessoas inadimplentes com a Receita Federal teriam suas chaves Pix canceladas. O Banco Central já esclareceu que a medida visa combater fraudes e não penalizar usuários com dívidas. As instituições financeiras só poderão excluir chaves Pix em casos comprovados de fraude, como o uso indevido do CPF de uma pessoa falecida. A norma estabelece quatro situações para a exclusão de uma chave vinculada a um CPF ou CNPJ: problemas cadastrais, duplicidade ou decisão judicial, documentos considerados nulos por fraude e registros de falecimento. O governo também avalia o impacto político da desinformação. Segundo a última pesquisa Genial/Quaest, a polêmica envolvendo o Pix foi um dos fatores que contribuíram para a queda da popularidade de Lula entre a população de baixa renda.
Governo reduz imposto de importação para carne e outros alimentos

O governo federal anunciou nesta quinta-feira (6) um conjunto de ações para tentar frear a escalada dos preços dos alimentos, que vem gerando preocupação entre consumidores e afetando a popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Entre as iniciativas, está a redução a zero das alíquotas de importação de diversos produtos. A medida, que ainda precisa de aprovação da Câmara de Comércio Exterior (Camex), prevê a isenção para itens como carne (atualmente taxada em 10,8%), café (9%), açúcar (14%) e milho (7,2%). Outros produtos incluídos na lista são óleo de girassol (9%), azeite de oliva (9%), sardinha (32%), biscoitos (16,2%) e massas alimentícias (14,4%). O vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) afirmou que a decisão será oficializada nos próximos dias, após o envio da nota técnica à Camex. Segundo ele, o objetivo é aliviar o custo dos alimentos para a população, estimular o comércio e fortalecer a economia. “O governo está abrindo mão de imposto para favorecer a redução de preço”, explicou. Além da isenção tributária, o pacote inclui medidas como o fortalecimento dos estoques reguladores da Conab para garantir estabilidade na oferta de produtos, incentivos ao financiamento da produção de itens da cesta básica por meio do novo Plano Safra e mudanças regulatórias para acelerar a implantação do sistema sanitário municipalizado. A expectativa é que essas ações ampliem o controle de qualidade e a circulação de alimentos como leite, ovos e mel em todo o país.
Retirada dos EUA do Acordo de Paris abre caminho para nova liderança climática

A saída dos Estados Unidos do Acordo de Paris, anunciada pelo então presidente Donald Trump, pode representar uma oportunidade para outras nações assumirem papel de destaque na agenda climática global. A CEO da COP30, Ana Toni, avalia que países como o Brasil têm a chance de ocupar espaços estratégicos no processo de descarbonização da economia mundial. Em entrevista, Toni reconheceu que a decisão norte-americana traz impactos negativos, uma vez que os EUA são a maior economia do planeta e historicamente o país que mais contribuiu para a emissão de gases de efeito estufa. Além disso, o movimento de Trump pode incentivar outras nações com baixo compromisso ambiental a adotarem posturas semelhantes. Apesar disso, ela acredita que o boicote promovido por Washington poderá abrir caminho para empresas estrangeiras assumirem os espaços deixados tanto pelo governo dos EUA quanto por companhias americanas. Nesse cenário, a realização da COP30 em Belém ganha relevância. Para Ana Toni, o evento será essencial para fortalecer a cooperação internacional no combate às mudanças climáticas e deixar um legado duradouro para o Brasil, o Pará e a comunidade global.
Moraes envia à PGR defesas de acusados de golpe de estado

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), enviou à Procuradoria-Geral da República (PGR) as contestações das defesas dos acusados pela tentativa de golpe de Estado. A partir de segunda-feira, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, terá cinco dias para se manifestar, com o prazo se estendendo até sexta-feira. Após isso, o caso estará pronto para julgamento, previsto para ocorrer ainda em março, conforme fontes do Supremo. A data da análise do caso na Primeira Turma do STF será determinada pelo ministro Cristiano Zanin, presidente do colegiado. A expectativa é de que, assim que Moraes liberar o processo, ele seja pautado. O chamado “núcleo 1” da denúncia da PGR é considerado o “núcleo crucial da organização criminosa” que, segundo Gonet, planejava dar um golpe de Estado em 2022. Entre os acusados nesse núcleo estão o ex-presidente Jair Bolsonaro e os ex-ministros Walter Braga Netto (Casa Civil), Paulo Sérgio Nogueira (Defesa), Anderson Torres (Justiça) e Augusto Heleno (GSI). Também foram acusados o ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) Alexandre Ramagem, o ex-comandante da Marinha Almir Garnier e o ex-ajudante de ordens de Bolsonaro, Mauro Cid. Cid fez acordo de delação premiada com a Polícia Federal (PF) e foi essencial para o avanço das investigações. Se condenado, ele deve ter acesso a benefícios firmados na delação. Além disso, Moraes já enviou à PGR as defesas do chamado Núcleo 3 da investigação, composto por: Bernardo Correa Netto, coronel preso na operação Tempus Veritatis da Polícia Federal; Cleverson Ney, coronel da reserva e ex-oficial do Comando de Operações Terrestres; Estevam Theophilo, general da reserva e ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército; Fabrício Moreira de Bastos, coronel do Exército, supostamente envolvido com carta de teor golpista; Hélio Ferreira Lima, tenente-coronel do Exército; Márcio Nunes de Resende Júnior, coronel do Exército; Nilton Diniz Rodrigues, general do Exército; Rafael Martins de Oliveira, tenente-coronel e integrante do grupo “kids pretos”; Rodrigo Bezerra de Azevedo, tenente-coronel do Exército; Ronald Ferreira de Araújo Junior, tenente-coronel do Exército acusado de participar de discussões sobre minuta golpista; Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros, tenente-coronel; Wladimir Matos Soares, agente da PF. A próxima etapa do processo depende da manifestação da PGR e do agendamento da sessão pela Primeira Turma do STF.
Presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol deixa prisão

O presidente sul-coreano Yoon Suk Yeol foi libertado do centro de detenção em Seul, no último sábado (8), após os promotores decidirem não recorrer da decisão judicial que anulou seu mandado de prisão. Yoon enfrenta acusações de insurreição. A suspensão de suas funções continua em vigor enquanto se desenrolam os julgamentos criminais e de impeachment relacionados à breve imposição da lei marcial em 3 de dezembro de 2024. O Tribunal Distrital Central de Seul, na sexta-feira (7), anulou o mandado de prisão citando o momento da acusação e questionamentos sobre a legalidade do processo investigativo. Em declaração, Yoon agradeceu ao tribunal pela “coragem e determinação em corrigir a ilegalidade”. Seus advogados afirmaram que a decisão reconheceu problemas tanto processuais quanto substanciais na detenção do presidente, considerando a decisão um passo crucial para restaurar o estado de direito. A Corte Constitucional deve decidir em breve sobre a reintegração ou remoção de Yoon do cargo, no julgamento de impeachment em andamento. Desde 15 de janeiro, Yoon é o primeiro presidente sul-coreano a ser preso enquanto estava no exercício do cargo. No sábado, Seul foi palco de manifestações de apoio e protesto; cerca de 38.000 apoiadores de Yoon se reuniram, enquanto aproximadamente 1.500 pessoas protestaram contra ele, segundo estimativas policiais reportadas pela agência Yonhap. Os promotores não foram encontrados para comentar.