O zumbido no ouvido, aquele apito ou chiado persistente, nunca deve ser considerado normal. A otorrinolaringologista Lidiane Ferreira, do Hospital Universitário Onofre Lopes (Huol), alerta que a persistência desse sintoma por algumas horas ou dias pode indicar problemas de audição e outras condições subjacentes. Ignorar esse sinal pode trazer consequências à sua saúde auditiva e bem-estar geral.
Buscar avaliação médica é crucial ao primeiro sinal de zumbido. A especialista desmistifica a ideia de “conviver” com o barulho. “Todo zumbido deve ser investigado, mesmo esse zumbido transitório”, enfatiza Ferreira, ressaltando a importância da conscientização sobre o problema, especialmente durante o Novembro Laranja.
Estima-se que o zumbido afete entre 15% e 20% da população, um número significativo que demonstra a relevância do tema. Embora muitos ignorem o incômodo, é fundamental entender que o zumbido é um sinal de que algo não está funcionando corretamente no organismo. Portanto, a recomendação é clara: ao perceber o barulho, procure um médico imediatamente para investigação.
O zumbido raramente é uma condição isolada, de acordo com Lidiane Ferreira. “O zumbido é um sinal de que alguma coisa não vai bem e aí nós precisamos investigar a causa”, explica. Em 90% dos casos, está associado à perda auditiva, muitas vezes imperceptível. Outras causas incluem alterações metabólicas, hormonais, distúrbios musculares, ansiedade e estresse.
A avaliação do zumbido deve ser abrangente, considerando os diversos sistemas do corpo que podem estar envolvidos. Em muitos casos, o tratamento é multidisciplinar, envolvendo dentistas, fisioterapeutas e especialistas em saúde mental, dependendo da origem do problema. Essa abordagem garante um tratamento mais eficaz e completo.
O ideal é procurar diretamente um otorrinolaringologista para exames como audiometria e testes laboratoriais. Caso o acesso imediato ao especialista seja difícil, uma unidade básica de saúde pode realizar a triagem inicial e o encaminhamento. A rapidez no diagnóstico é fundamental para evitar a progressão de possíveis problemas.
Em casos pontuais de zumbido após exposição a ruídos intensos, como shows ou festas, é aceitável aguardar algumas horas. “Até 48 horas, 72 horas, é normal que você tenha aquele zumbido e, se ele desaparecer, ótimo. Mas você deve ficar em alerta”, orienta a médica. No entanto, a persistência do sintoma após esse período exige atenção médica.
Zumbidos frequentes após exposições semelhantes a ruídos são ainda mais preocupantes, indicando possível dano auditivo acumulado. Embora mais comum após os 50 anos, o zumbido pode ocorrer em qualquer idade, inclusive em jovens e crianças. A especialista alerta para o aumento de casos entre os mais jovens.
Entre crianças, o zumbido costuma ter origem metabólica, associado ao consumo excessivo de açúcar. Já em adolescentes e jovens adultos, o principal fator é o ruído, como o uso de fones de ouvido em volume alto e a exposição prolongada a sons intensos. A prevenção é essencial em todas as faixas etárias.
O uso de fones de ouvido é um dos principais fatores de risco para perda auditiva e, consequentemente, para o zumbido. Fones externos, no formato concha, são considerados mais seguros do que os modelos intracanais. Além disso, fones com cancelamento de ruído ajudam a reduzir a necessidade de aumentar o volume.
O tempo de exposição e o volume são cruciais. O ideal é usar fones o mínimo possível, com limite de duas horas por dia para uso recreativo. E lembre-se: se outras pessoas conseguem ouvir o que você está ouvindo nos fones, o volume está alto demais. Dormir com fones de ouvido também é um hábito arriscado.
A prevenção é sempre a melhor estratégia para proteger a audição. Evitar ambientes ruidosos, reduzir o tempo de exposição a sons altos e escolher o tipo certo de fone são medidas importantes. Para quem já tem perda auditiva, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado são fundamentais para evitar a progressão do quadro.
O tratamento da perda auditiva depende do grau do problema, mas os aparelhos auditivos são o principal método de reabilitação. No entanto, nem todos com perda auditiva precisam usar o dispositivo. A indicação depende da interferência na comunicação e na qualidade de vida do paciente. A avaliação individualizada é essencial.
Recomenda-se que crianças entre 5 e 6 anos passem por avaliação auditiva, mesmo sem sintomas. Adultos devem fazer o exame entre os 40 e 45 anos e repetir a cada cinco anos, ou antes, se houver histórico familiar ou sintomas como zumbido e dificuldade de comunicação. A audição merece atenção em todas as fases da vida.
Fonte: http://agorarn.com.br










