Após um encontro tenso em fevereiro, que culminou com um convite abrupto para deixar a Casa Branca, o presidente ucraniano Volodymyr Zelensky retorna a Washington na segunda-feira para se reunir com o presidente Donald Trump. O objetivo principal é entender os detalhes da cúpula entre Trump e Vladimir Putin no Alasca e como o presidente americano vislumbra um caminho para a paz na Ucrânia. A reunião ocorre em um momento crítico, com divergências sobre a melhor forma de alcançar um cessar-fogo e um acordo duradouro.
Em fevereiro, Trump foi direto com Zelensky: “Você não tem as cartas”. Agora, após sua cúpula com Putin, o cenário parece ter mudado, embora não esteja claro como. As primeiras indicações após o encontro no Alasca não foram bem recebidas por Kiev nem por funcionários europeus, especialmente após Trump abandonar a ideia de um cessar-fogo imediato em favor de um acordo de paz completo, sem exigir o fim dos bombardeios russos.
A posição de Trump contrasta com a dos líderes europeus e de Zelensky, que insistem que a Ucrânia não pode ser forçada a negociar seu futuro sob ataque constante. Paralelamente, Trump sinalizou abertura a garantias de segurança dos EUA à Ucrânia após o fim da guerra, o que gerou alguma esperança, embora os detalhes permaneçam incertos.
A relação entre Trump e Zelensky passou por uma notável transformação desde o encontro turbulento em fevereiro. Líderes europeus, como Emmanuel Macron e Keir Starmer, aconselharam Zelensky a adotar uma postura menos combativa e demonstrar maior gratidão pelo apoio americano. Zelensky parece ter seguido o conselho, expressando publicamente sua gratidão pelo convite para Washington.
A reunião de segunda-feira contará com a presença de importantes líderes europeus, incluindo Friedrich Merz (Alemanha), Keir Starmer (Reino Unido), Emmanuel Macron (França), Giorgia Meloni (Itália), Alexander Stubb (Finlândia) e Ursula von der Leyen (Comissão Europeia). A presença do Secretário-Geral da OTAN, Mark Rutte, também é possível. A simbologia do convite a Zelensky para o Salão Oval, dias após a cúpula com Putin, é notável, contrastando com a ausência de fotos de Putin ao lado de Trump no Salão Oval.
Embora Trump tenha elogiado as conversas com Putin como “calorosas”, ele também demonstrou força militar, com um sobrevoo de bombardeiros B-2 e caças F-22 Raptor. A reunião desta segunda-feira marca o retorno de Zelensky ao Salão Oval desde que Trump o acusou de “apostar na terceira Guerra Mundial”. Apesar de um histórico de tensões, Trump e Zelensky se encontraram pessoalmente em duas ocasiões desde então, no Vaticano e na cúpula da OTAN na Holanda. “Vocês sabem que tivemos momentos difíceis”, disse Trump após o encontro na OTAN, “Ele não poderia ter sido mais gentil.”
“Acredito que tivemos a melhor conversa com o presidente Trump de todas as que ocorreram até agora”, declarou Zelensky após a reunião no Vaticano, onde estiveram sentados próximos um do outro na Basílica de São Pedro. Após o encontro, Trump chegou a ameaçar novas sanções contra a Rússia, mas, meses depois, recuou. Resta saber se Trump conseguirá o que quer: uma paz duradoura, apesar do ceticismo de muitos.
Fonte: http://www.cnnbrasil.com.br





