Parlamentar recuou após fala polêmica e disse ter se referido às “ações de injustiça” do ministro do STF.
Durante sessão da Câmara dos Deputados realizada na noite de quarta-feira (20), o deputado federal Zé Trovão (PL-SC) protagonizou um dos episódios mais controversos da legislatura ao direcionar duras críticas e até uma ameaça ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes.

O pronunciamento ocorreu em meio a comentários sobre a operação da Polícia Federal que atingiu o pastor Silas Malafaia, alvo de mandado de busca e apreensão no Rio de Janeiro. Em tom inflamado, Zé Trovão acusou o Supremo de promover perseguição e, em seguida, elevou o tom contra Moraes.
“Seu presidente, que dia para se dizer mais uma vez ao Supremo Tribunal Federal: continuem perseguindo as pessoas, vocês estão no caminho, no caminho exato para que daqui a pouco tempo esse país seja uma desgraça definitiva”, declarou o parlamentar.
Logo depois, direcionou-se de maneira direta ao ministro: “Alexandre de Moraes, presta atenção: o seu dia, o seu fim, está próximo. E nós vamos acabar com sua vida, porque você não pode fazer o que você está fazendo.”
A transmissão oficial da sessão foi interrompida logo após a declaração, quando o microfone do deputado teve o som cortado.
Tentativa de retratação
Poucos minutos depois, Zé Trovão pediu novamente a palavra e buscou amenizar sua fala anterior. O deputado afirmou que teria se expressado de forma equivocada e procurou corrigir a declaração.
“Quero fazer uma correção na minha fala. Quando eu falei do Moraes, eu disse ‘destruir a sua vida’ e isso, de maneira nenhuma, a gente não está aqui para destruir vidas e sim as ações erradas que eles têm tomado”, afirmou.
Em seguida, reformulou seu posicionamento: “Então, eu quero retirar minha palavra quando disse ‘destruir vida’ e colocar a palavra certa: nós vamos acabar com a injustiça de Alexandre de Moraes.”
Apesar da tentativa de recuo, a fala inicial já havia repercutido fortemente dentro e fora do plenário.
Histórico de embates com o STF
A postura combativa de Zé Trovão em relação ao Supremo não é novidade. O parlamentar, cujo nome de batismo é Marcos Antônio Pereira Gomes, ganhou notoriedade nacional em 2021 como um dos líderes das manifestações de 7 de Setembro que pediam a derrubada da Corte.
Naquele ano, chegou a ter a prisão decretada por Moraes a pedido da Procuradoria-Geral da República (PGR). Foragido, deixou o país antes de se entregar à Polícia Federal em outubro de 2021. Posteriormente, conseguiu converter a prisão preventiva em domiciliar, permanecendo sob monitoramento por tornozeleira eletrônica.
Em 2022, foi eleito deputado federal pelo PL de Santa Catarina, obtendo 71 mil votos. O episódio mais simbólico de sua trajetória política até então foi sua diplomação, realizada em dezembro de 2022, enquanto ainda utilizava tornozeleira.
Apoio a Silas Malafaia
Na declaração desta quarta-feira, Zé Trovão também se solidarizou com o pastor Silas Malafaia, investigado pela Polícia Federal. O parlamentar afirmou repudiar a forma como o líder religioso foi tratado e o classificou como “um dos homens mais eloquentes do evangelho brasileiro”.
A defesa de Malafaia por parte de Trovão reforça a aproximação do parlamentar com setores religiosos que também criticam decisões de Alexandre de Moraes.
Repercussão e possíveis desdobramentos
Embora o deputado tenha buscado relativizar sua fala, a menção a “acabar com a vida” de um ministro do STF é considerada uma ameaça grave e pode gerar novas consequências jurídicas. O histórico de embates entre Zé Trovão e a Suprema Corte deve pesar na análise de eventuais medidas do Judiciário ou da própria Mesa Diretora da Câmara.
Até o momento, não houve manifestação pública de Moraes sobre o caso. No entanto, a tendência é que o episódio amplie as tensões já existentes entre parte do Legislativo e o Supremo.
Analistas políticos apontam que a fala reforça o discurso radical que consolidou a base eleitoral de Zé Trovão, mas que, ao mesmo tempo, pode isolar o parlamentar dentro do Congresso, onde discursos com teor de ameaça direta não encontram respaldo institucional.
Contexto político
O caso acontece em um momento de grande polarização política no país, em que ministros do STF frequentemente são alvos de críticas de grupos alinhados à direita. Alexandre de Moraes, relator de inquéritos que investigam ataques à democracia, tornou-se o principal alvo desses setores.
Zé Trovão, por sua vez, segue apostando em um discurso de confronto direto com a Corte, alinhado à estratégia de parte da oposição de tensionar a relação entre os poderes.
Enquanto isso, cresce a expectativa sobre quais medidas poderão ser adotadas após a declaração, considerada uma das mais graves já feitas contra um ministro do Supremo dentro do plenário da Câmara.
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