Yellen admite inflação persistente acima de 2% nos EUA por 5 anos


Ex-secretária do Tesouro alerta que tarifas de Trump e conflito no Oriente Médio mantêm pressão inflacionária

Yellen admite inflação persistente acima de 2% nos EUA por 5 anos
Janet Yellen durante painel na Expert XP 2026 – Foto: Fabio Rizzato / InfoMoney

Janet Yellen sinaliza que os EUA enfrentarão inflação acima da meta de 2% pelos próximos cinco anos, pressionada por tarifas protecionistas e tensões geopolíticas.

Janet Yellen, uma das principais vozes econômicas dos EUA, não escondeu sua preocupação com a inflação em longo prazo no país durante sua participação no painel “Perspectivas Econômicas dos EUA e Globais: Desafios de Curto Prazo e Tendências de Longo Prazo”, na Expert XP 2026. Ela afirmou que, num horizonte de cinco anos, a inflação deverá permanecer acima dos 2%, meta tradicionalmente perseguida pelo Federal Reserve (Fed).

A ex-secretária do Tesouro responsabilizou diretamente as tarifas protecionistas da era Trump, que continuam pressionando os preços internos mais do que o esperado. Além disso, citou os impactos das disrupções geopolíticas recentes, especialmente a guerra no Oriente Médio, e os efeitos dos grandes investimentos em data centers como fatores que tornam o controle da inflação mais complexo para o Fed.

“Estamos contando com inflação mais alta que 2% nos próximos cinco anos”, afirmou Yellen, destacando a dificuldade de reverter esse quadro diante de choques de abastecimento e padrões de consumo alterados pela pandemia.

Embora o Fed esteja atualmente com a política monetária em modo “on hold”, Yellen avisou que o banco central americano está pronto para aumentar as taxas de juros se as tensões com o Irã persistirem e elevarem ainda mais a pressão inflacionária.

Ela também ressaltou que não observa uma pressão salarial significativa no mercado de trabalho, mas alerta para possíveis efeitos colaterais que possam surgir. “Se eu fosse membro do Fed, ficaria preocupada com o risco inflacionário e avaliaria os choques de abastecimento com muito cuidado”, afirmou.

Yellen ainda traçou um paralelo entre a atual conjuntura e o período logo após a crise financeira global, quando assumiu a liderança do Fed em 2024. Naquela época, a inflação chegou perto de dois dígitos, e o banco central teve que reduzir a taxa básica para zero, mas a recuperação econômica foi lenta diante do desemprego ainda alto e mudanças profundas na economia global.

Inflação elevada e desafios para o Fed

  • Tarifas protecionistas da administração Trump continuam impactando preços internos.
  • Guerra no Oriente Médio adiciona tensão e incerteza ao cenário inflacionário.
  • Fed mantém política monetária estável, mas alerta para possível aumento dos juros.
  • Mercado de trabalho não mostra pressão salarial significativa até o momento.
  • Pandemia e investimentos em tecnologia alteraram padrões de consumo e oferta.

O alerta de Yellen tem implicações diretas para investidores e formuladores de política econômica, que devem se preparar para um período de inflação mais resistente e volatilidade nos preços. O cenário dificulta o trabalho do Fed, que precisa equilibrar o controle da inflação sem comprometer a recuperação econômica dos EUA.


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