Wim Wenders destaca cinema como contraponto à política no Festival de Berlim


Presidente do júri do Festival de Berlim reforça que filmes atuam como agentes de empatia e transformação social, distanciando-se da esfera política direta

Wim Wenders destaca cinema como contraponto à política no Festival de Berlim
Wim Wenders durante entrevista no Festival de Berlim, onde exerce a presidência do júri

Wim Wenders afirma que o cinema serve como contrapeso à política, promovendo empatia e transformação social no Festival de Berlim.

Wim Wenders reforça o papel do cinema como contraponto à política no Festival de Berlim

No Festival de Berlim, realizado em fevereiro de 2026, Wim Wenders, presidente do júri, destacou que o cinema funciona essencialmente como um contrapeso à política, promovendo empatia e transformação social. Durante uma entrevista concedida no evento, Wenders ressaltou que “não podemos realmente interferir na política, temos que nos manter fora dela” e que os filmes atuam no papel de “fazer o trabalho das pessoas, não o dos políticos”. Sua fala foi uma resposta a questionamentos sobre o envolvimento político do festival e seu principal patrocinador, o governo alemão.

A distinção entre cinema e política institucional segundo Wim Wenders

O cineasta afirmou que, embora os filmes possam influenciar a maneira como as pessoas pensam e vivem, eles não devem ser confundidos com política em sentido literal. Para Wenders, o cinema cria um espaço para o público experimentar novas perspectivas, promovendo empatia e compreensão humana, sem operar diretamente no campo da política institucional. Esse posicionamento reforça a autonomia da arte cinematográfica na construção de diálogos sociais e culturais, buscando influenciar opiniões de forma mais sutil e pessoal.

A escolha do filme de abertura e seu significado no contexto do festival

A decisão de abrir o Festival de Berlim com o filme “No Good Men”, dirigido pela afegã Shahrbanoo Sadat, reforça a mensagem de transformação e diálogo social promovida pelo cinema. A obra, uma comédia romântica ambientada no Afeganistão às vésperas da retomada do Talibã, retrata o cotidiano difícil do país sob uma perspectiva humana e acessível, desafiando estereótipos e ampliando o entendimento cultural. Sadat, que reside na Alemanha, enfrenta com seu filme a delicada questão da imigração e das dificuldades enfrentadas por refugiados afegãos, tema sensível diante das políticas atuais do governo alemão.

O Festival de Berlim e os desafios políticos na cobertura jornalística

Durante a entrevista coletiva, um jornalista questionou o júri sobre o aparente paradoxo de o festival, conhecido por seu posicionamento solidário a causas como Irã e Ucrânia, ser patrocinado por um governo acusado de apoiar ações controversas, como o conflito em Gaza. A diretora do evento, Tricia Tuttle, e a produtora Ewa Puszczynska evitaram aprofundar o tema, enfatizando a importância de manter o foco na discussão dos filmes e sua capacidade de promover empatia, evitando confrontos diretos com a política institucional.

Cinema como ferramenta de transformação social e consciência coletiva

Wim Wenders finalizou sua fala apontando que o poder do cinema reside na capacidade de mudar a maneira como as pessoas percebem a vida e a convivência social. Ele destacou a grande discrepância entre os interesses dos indivíduos e as decisões dos governos, indicando que o cinema pode preencher essa lacuna ao estimular a reflexão e a empatia. Essa visão reforça o papel do Festival de Berlim como espaço de diálogo cultural capaz de abordar temas complexos por meio da arte, sem se prender aos debates políticos tradicionais.

O Festival de Berlim segue, assim, como uma plataforma para que cineastas e espectadores explorem realidades diversas, promovendo um entendimento mais profundo do mundo, mesmo diante de tensões políticas e sociais globais.

Fonte: www1.folha.uol.com.br


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