A revelação publicada por O Estado de S. Paulo é simples — e devastadora: Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, admitiu a interlocutores que teve voo e hotel pagos pelo empresário Antônio Carlos Camilo Antunes, personagem central do escândalo bilionário que envolve fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social.

A explicação? Visita a uma fábrica de cannabis medicinal em Portugal. Nada além disso.
Mas a pergunta é inevitável: desde quando empresário investigado por esquema contra aposentados banca viagem internacional para o filho do presidente por mera cordialidade?
Não é crime aceitar passagem. O problema é a promiscuidade política que isso simboliza. É o tipo de proximidade que corrói qualquer discurso moral. Especialmente quando parte de um grupo político que passou anos discursando sobre ética, perseguição e seletividade judicial. A conta pode até ter sido “apenas” passagem e hotel. Mas o custo político é bem maior.
Porque no Brasil, quando empresário enrolado paga viagem para filho de presidente, não é amizade.
É influência.
E influência nunca viaja de graça.





