Denúncia foi feita por ONG ao Ministério Público e à Polícia Civil
A vereadora de Curitiba, Sargento Tânia Guerreiro (Podemos), é alvo de uma denúncia feita por uma ONG ao Ministério Público do Paraná (MP-PR) e à Polícia Civil (PC). Segundo o ofício, a parlamentar teria exibido vídeos reais de abuso sexual infantil durante palestras contra a pedofilia. Os órgãos de investigação confirmaram que o caso está sob apuração, mas informaram que o procedimento corre em sigilo.

A denúncia mais recente envolve uma palestra realizada em 10 de maio de 2024, em Colombo, na Região Metropolitana de Curitiba. Cerca de 130 pessoas estavam na plateia quando, segundo a ONG Elos Invisíveis, a vereadora mostrou vídeos com cenas explícitas de abuso, incluindo crianças gritando. Em outra palestra, feita por Guerreiro em abril de 2025 em uma faculdade particular de Curitiba, a vereadora descreve em detalhes casos de violência sexual contra crianças e afirma manter os vídeos no próprio celular.
Uma das pessoas que acompanhou a apresentação relatou que uma colega vomitou durante a exibição e outra saiu chorando. Segundo o relato, a vereadora justificou que os vídeos eram mostrados “para que as pessoas entendessem o que é pedofilia”.
Essa não teria sido a primeira vez. Em 2021, durante uma palestra na Câmara de Matinhos, no Litoral do Paraná, a vereadora também teria apresentado imagens de ferimentos nos órgãos genitais de crianças supostamente abusadas.
A Câmara Municipal de Curitiba chegou a abrir uma sindicância, mas confirmou o arquivamento do caso sem dar detalhes. Em nota enviada à imprensa, a vereadora afirmou que “o conteúdo dessas palestras é exclusivamente destinado a maiores de 18 anos, com aviso claro e explícito”. Ela disse ainda que “a proteção da criança e a defesa de sua inocência são pautas inegociáveis que norteiam sua vida e seu mandato” e que acompanha o processo com “serenidade e responsabilidade”.
A presidente da Comissão de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente da OAB-PR, Ana Lúcia Oliveira, afirmou que a exibição de imagens reais de violência sexual contra crianças, mesmo em contextos educativos, pode configurar crime. “Se comprovada a exibição desse tipo de material, há indícios de violação do artigo 241 do Estatuto da Criança e do Adolescente, que trata da posse e divulgação de pornografia infantil. A pena é de reclusão de um a três anos e multa”, disse.
Ela também alertou para os riscos da exposição de conteúdo sensível sem mediação técnica. “Isso pode causar danos significativos, reforçar estigmas e comprometer políticas públicas sérias”, afirmou. A OAB-PR já enviou ofícios ao Ministério Público cobrando providências, mas lembra que não tem poder investigativo.
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