Operação Última Parada revela participação de Senival Moura no controle financeiro da Transunião, apontada como fachada do PCC

Vereador do PT é preso em São Paulo por envolvimento em esquema de lavagem de dinheiro ligado ao PCC, com bloqueio de bens e intervenção na empresa Transunião.
A prisão do vereador do PT Senival Moura durante a Operação Última Parada, deflagrada em 25 de junho de 2026 em São Paulo, marca um capítulo grave na investigação da infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) no sistema de transporte público da cidade. Segundo apurações do Gaeco e do Deic, o parlamentar exercia controle tático e financeiro da empresa de ônibus Transunião, utilizada para lavagem de dinheiro do crime organizado.
Contexto e impacto da Operação Última Parada no transporte público paulistano
A operação, que também prendeu o presidente da Transunião, Lourival de França Monário, cumpriu cinco mandados de prisão temporária e 103 de busca em 13 municípios de São Paulo e Minas Gerais, bloqueando bens avaliados em até R$ 194 milhões, que incluem 117 ônibus, 21 imóveis e três embarcações. A intervenção na administração da Transunião foi determinada, transferindo sua gestão à SPTrans.
O transporte público da capital paulista, especialmente na zona leste, foi alvo do PCC para estruturar uma complexa rede de lavagem de dinheiro e controle clandestino. A Transunião, que opera 614 ônibus em 57 linhas, recebeu entre janeiro e maio de 2026 mais de R$ 182 milhões da Prefeitura e teve recursos empenhados para eletrificação da frota no valor de R$ 163 milhões.
Análise da movimentação financeira e relações criminosas da Transunião
Relatórios do Laboratório de Lavagem de Dinheiro da Polícia Civil revelaram movimentações financeiras que ultrapassam R$ 1 bilhão em créditos e débitos com elevado grau de pulverização bancária e fragmentação de operações. Detectaram R$ 24,7 milhões em créditos sem origem clara, indicando práticas incompatíveis com transparência empresarial e fortes indícios de lavagem de capitais.
O vereador Senival Moura, embora não fosse sócio oficialmente, atuava como principal gestor do fluxo financeiro da empresa, conforme apurado nas investigações, sendo peça-chave na conexão entre a Transunião e os interesses do PCC.
Histórico da Transunião e vínculos com o crime organizado
A Transunião nasceu para substituir cooperativas de perueiros clandestinos, integrando veículos e proprietários, alguns ligados ao crime organizado. O assassinato do então presidente Adauto Soares Jorge em março de 2020 foi marco para o aprofundamento da investigação. Material apreendido, como planilhas e celulares, revelou uma dissociação intencional entre a titularidade formal dos veículos e o controle econômico real, facilitando a atuação da facção no transporte.
Personagens-chave e a rede de influência política e criminal
Leonel Moreira Martins, supervisor da empresa, exercia gestão paralela dos recursos, determinando depósitos e cobrando repasses desde 2017, inclusive para familiares e para pessoas com antecedentes criminais ligados ao PCC, como o ladrão de banco Anderson de Cássia Pereira. Ingrid Bernardino, ex-mulher de Leonel, com ligações políticas ao PT, foi beneficiária de valores pagos pela Transunião.
As conversas interceptadas mostraram que Senival Moura era tratado como “presidente” e figura central na liberação de valores, indicando seu envolvimento direto nas operações financeiras e na estrutura clandestina da empresa.
Conflitos internos, desvio de recursos e consequências
Uma carta manuscrita encontrada na residência de outro diretor da empresa relata conflitos internos, desvio de cerca de R$ 15 milhões e determina afastamentos dentro da Transunião. O assassinato de Adauto Jorge é apontado como consequência desses desentendimentos.
O vereador Senival Moura teria solicitado proteção policial na época, evidenciando o clima de ameaça dentro do esquema. A operação atual consolida o desmantelamento da rede que utilizava o transporte coletivo como fachada para o crime organizado, com impacto direto no combate à lavagem de dinheiro e à corrupção em São Paulo.










