Valdemar diz que: “A única chance que nós temos é o Trump”, sobre Bolsonaro

Líder do PL condiciona futuro político de Bolsonaro às eleições americanas e projeta papel central do ex-presidente na disputa de 2026.

O presidente nacional do PL, Valdemar Costa Neto, afirmou nesta segunda-feira (25) que “a única chance que nós temos é o Trump”, ao comentar as possibilidades de Jair Bolsonaro (PL) disputar a Presidência em 2026. A declaração foi feita durante o seminário Brasil Hoje, promovido pelo grupo Esfera em São Paulo.

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Foto: Cristiano Mariz / O Globo

Segundo Valdemar, uma eventual vitória do republicano Donald Trump nas eleições americanas pode influenciar diretamente o cenário político brasileiro. O dirigente disse acreditar que o ex-presidente dos EUA manterá sanções contra governos de esquerda na América Latina e terá atenção especial em relação ao Brasil.

“A única chance que nós temos é o Trump. Na minha opinião, ele vai continuar com as sanções. É um camarada decidido e quer o Brasil em um caminho bom. Tem preocupação de o Brasil virar um país de esquerda e ele não quer. Vê a pressão que ele já está fazendo contra a Venezuela. Ele não vai abandonar”, declarou.

Bolsonaro inelegível e as estratégias do PL

Atualmente, Bolsonaro está inelegível até 2030 em razão de decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Valdemar, no entanto, reiterou que há expectativa de reversão. Para ele, a defesa do ex-presidente ainda pode obter uma vitória no Supremo Tribunal Federal (STF) no caso que investiga a tentativa de golpe de 8 de janeiro.

Caso essa absolvição ocorra, o PL pretende protocolar pedido de revisão no TSE para derrubar a inelegibilidade. Valdemar destacou que, em 2026, a Corte Eleitoral será presidida por Kassio Nunes Marques, ministro indicado por Bolsonaro ao Supremo.

“O Bolsonaro tem grandes chances de ser presidente”, afirmou.

O papel de Trump e o impacto econômico

Além do aspecto político, Valdemar Costa Neto também relacionou Trump a questões econômicas. Para ele, uma nova presidência republicana traria mudanças significativas no comércio internacional.

“Trump deve acertar o tarifaço. Caso a caso, eles vão negociar, não tenho dúvidas disso”, disse.

Essa visão aproxima-se do discurso adotado por alas da direita no Brasil, que veem em Trump um aliado ideológico e estratégico, tanto para contrapor governos de esquerda na região quanto para facilitar acordos comerciais que poderiam beneficiar o país.

Candidatura alternativa e o papel de Tarcísio

Mesmo admitindo a chance de Bolsonaro não estar na disputa, Valdemar ressaltou que o ex-presidente terá papel central na definição da chapa da direita.

“Se Bolsonaro não for candidato, ele é quem vai escolher pessoalmente os nomes que comporão a chapa. Será uma escolha dele”, destacou.

Entre os cotados está o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que tem se consolidado como uma das principais lideranças conservadoras. Valdemar elogiou a gestão do paulista e revelou que, em jantar recente em Brasília, Tarcísio teria sinalizado que se filiaria ao PL caso fosse o escolhido de Bolsonaro.

“Falou na frente de cinco governadores”, contou o presidente do PL.

Análise: dependência externa e desafios internos

As falas de Valdemar Costa Neto revelam um ponto de fragilidade na estratégia política da direita para 2026: a dependência de fatores externos, em especial da vitória de Donald Trump nos Estados Unidos. Apostar em um cenário internacional para resolver problemas domésticos, como a inelegibilidade de Bolsonaro, pode indicar falta de um plano consolidado dentro do próprio campo conservador.

Ao mesmo tempo, o discurso reafirma o peso de Bolsonaro como figura central da direita, mesmo fora das urnas. Sua influência sobre candidaturas, especialmente a de Tarcísio de Freitas, mostra que o ex-presidente continua sendo o principal nome de mobilização da base.

No entanto, a insistência em condicionar o futuro da direita brasileira a decisões do Judiciário e à vitória de Trump pode limitar a capacidade de articulação do PL e gerar frustrações entre aliados caso esses cenários não se concretizem.

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