Declarações geram preocupação sobre futuras votações no Legislativo

Valdemar Costa Neto afirmou que seu partido pode “parar o Congresso” se a anistia não for votada, gerando incertezas nas votações.
O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, elevou o tom nesta terça-feira (9) ao afirmar que seu partido pode “parar o Congresso” caso não avance a votação da proposta de anistia aos envolvidos na tentativa de golpe de Estado. A declaração foi feita em entrevista à Rádio Eldorado, no dia em que o STF retomou o julgamento de Jair Bolsonaro e outros sete réus do núcleo central da trama golpista.
Valdemar disse que já existe maioria para aprovar o projeto e defendeu que a medida seja “ampla, geral e irrestrita”, incluindo o próprio Bolsonaro. “Se não votarem a anistia, nós vamos parar o Congresso. Hoje temos maioria para isso. Não queríamos dar prejuízo ao país, mas não temos outra arma”, afirmou. Se a oposição paralisar o Congresso, projetos importantes como que isenta quem ganha até R$ 5 mil do Imposto de Renda deixarão de ser votados.
Oposição diz ter maioria para pautar anistia a Bolsonaro
O dirigente rejeitou qualquer negociação para restringir o alcance do texto, como defende o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que articula uma versão mais limitada, voltada apenas à redução de penas dos presos pelo 8 de Janeiro.
Relação com o STF e críticas a Moraes
Questionado sobre a fala do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, que chamou o ministro Alexandre de Moraes de “tirano”, Valdemar disse que prefere não atacar integrantes do Supremo. “Meu advogado me orientou a não atacar nenhum ministro. Temos que respeitar o Supremo, mas é uma loucura o que está acontecendo”, afirmou, classificando a reação de Tarcísio como “natural”.
Trump, bandeira americana e estratégia para 2026
Valdemar também comentou a presença da bandeira dos Estados Unidos na manifestação do último 7 de Setembro, criticada por setores bolsonaristas. “Adorei quando vi a bandeira americana. Isso vai chegar ao Trump, para ele ver que o povo brasileiro não é contra os americanos, que os queremos do nosso lado, e precisamos dele hoje”, disse.
Crise interna e sucessão em São Paulo
Valdemar descartou a expulsão do senador Romário, hostilizado em ato bolsonarista por não apoiar o impeachment de Moraes. “Ele me explicou que sempre foi bem tratado pelo ministro e, por isso, não assinou. Temos que respeitar. O PL precisa dele para manter força no Senado”, disse. Sobre a possibilidade de sucessão no Senado por São Paulo, em caso de ausência de Eduardo Bolsonaro, Valdemar citou o vice-prefeito da capital, Ricardo Mello Araújo, como “boa ideia”, além dos nomes de Marco Feliciano e Cezinha de Madureira.
A anistia defendida pelo PL é a mais abrangente já apresentada: perdoaria não apenas os envolvidos no 8 de Janeiro, mas também todos os investigados desde 2019 em inquéritos sobre ataques às instituições, incluindo o das fake news. Além de extinguir penas e processos, abriria caminho para que Jair Bolsonaro volte a disputar a Presidência em 2026, revertendo sua inelegibilidade atual.










