Estudo revela que esquema de três doses é mais eficaz para proteção contra subtipo 16 do vírus

Estudo indica que dose única da vacina contra HPV não protege adequadamente contra o subtipo 16, associado ao câncer.
Eficácia da vacina contra HPV: o que diz o estudo
Recentemente, um estudo publicado na revista The Lancet Infectious Diseases levantou preocupações sobre a eficácia da vacina contra HPV em dose única. De acordo com a pesquisa, que avaliou meninas de 9 a 14 anos, a proteção oferecida pela dose única contra o subtipo 16 do vírus, que está intimamente relacionado ao câncer de colo do útero, foi inferior àquela obtida com o esquema de três doses administrado em mulheres mais velhas. Essa descoberta tem implicações significativas para as diretrizes de vacinação em todo o mundo.
Comparação entre esquemas vacinais
A pesquisa analisou a resposta imune de 539 meninas vacinadas com uma única dose da vacina bivalente, que protege contra os subtipos 16 e 18, em comparação com 366 mulheres que receberam três doses da vacina quadrivalente, que protege contra quatro subtipos do HPV. O resultado foi surpreendente: embora a taxa de soroconversão — a presença de anticorpos contra o HPV — tenha sido quase completa em ambos os grupos, a proteção contra o subtipo 16 foi significativamente menor nas meninas que receberam apenas uma dose.
A necessidade de reforços
Os dados indicam que, para garantir proteção total contra o subtipo 16, pode ser necessário administrar reforços após a primeira dose. Os pesquisadores observaram que, enquanto a proteção contra o subtipo 18 foi equivalente entre os dois grupos, a proteção contra o subtipo 16 ficou em 50% da proteção observada nas mulheres que receberam três doses. Isso levanta a questão sobre a adequação do esquema vacinal atual recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS) em regiões com baixa adesão à vacinação.
O papel da OMS e diretrizes futuras
Desde 2022, a OMS recomenda a vacinação em dose única como estratégia para aumentar a cobertura vacinal em países com dificuldades de acesso. No entanto, os resultados desse estudo sugerem que, apesar da adesão potencialmente maior, a eficácia da vacina em dose única pode não ser suficiente para prevenir a infecção pelo subtipo 16 em todas as meninas, especialmente em áreas onde a imunização é crucial. Pesquisas adicionais são necessárias para determinar a quantidade ideal de anticorpos que seria necessária para garantir proteção efetiva, bem como para avaliar se a proteção pode ser influenciada pela idade da paciente.
Conclusão
Apesar das limitações, os autores do estudo enfatizam que a recomendação da OMS ainda é válida, especialmente em ambientes onde as barreiras à vacinação são significativas. No entanto, ressaltam a necessidade de mais estudos para orientar políticas de vacinação e melhorar a proteção contra o HPV, garantindo que meninas e mulheres tenham acesso a um esquema vacinal que realmente as proteja contra todos os subtipos relacionados ao câncer.
Por fim, a inclusão da vacina contra HPV no Programa Nacional de Imunizações (PNI) no Brasil é um passo importante, mas é fundamental garantir que as estratégias de vacinação sejam continuamente avaliadas e aprimoradas com base em novas evidências científicas.
Fonte: www1.folha.uol.com.br
Fonte: Damien Meyer/AFP










