Genéticas importadas revolucionam produção e ampliam mercado nacional e internacional

Uvas de mesa exóticas com genética importada transformam o Vale do São Francisco, atraindo mercado premium nacional e internacional.
As uvas de mesa exóticas e o avanço no Vale do São Francisco
As uvas de mesa exóticas representam uma nova era para o Vale do São Francisco, destacando-se principalmente a partir de 2010, quando geneticistas de empresas estrangeiras trouxeram variedades inovadoras aos produtores locais. Christhian Diaz, gerente técnico da Coopexvale, destaca que essas uvas oferecem resistência às variações climáticas e potencial para duas safras anuais, além de sabores pouco conhecidos pelo consumidor comum. Esse avanço traz um enorme impacto econômico e tecnológico ao agronegócio da região.
Variedades importadas que transformaram o mercado de uvas de mesa
Entre as variedades de genética importada mais valorizadas estão a Cotton Candy, branca sem sementes, conhecida por sua doçura intensa e textura suculenta, e a Sweet Black, preta com sementes, que também chama atenção por seu sabor diferenciado. Essas e outras como Green Dreams, Infinity e Sable, além das variedades nacionais como Vitória, BRS Tainá e BRS Melodia, ampliaram o portfólio disponível, elevando o padrão das uvas produzidas no Brasil. Os produtores precisam lidar com custos de royalties de 4 a 7% nas vendas, mas o retorno é compensador devido ao valor agregado dos frutos.
Impactos econômicos e estratégias de mercado na viticultura do Vale do São Francisco
O investimento em uvas de mesa exóticas gera um movimento de “descommoditização”, conforme explica Maryana Vital, engenheira agrônoma da Agrivale. A escolha do consumidor brasileiro evoluiu de comprar uvas a granel para optar por produtos com marcas reconhecidas e informações detalhadas, como crocância, suculência, doçura e rastreabilidade via QR-Code. A produção local estimada em 30 mil toneladas por ano sustenta tanto o mercado interno quanto a exportação para 23 países, com cerca de 30% da produção destinada ao exterior.
Influência do acordo Mercosul-União Europeia na competitividade das uvas brasileiras
A aprovação do acordo comercial entre a União Europeia e o Mercosul é vista com otimismo pelos produtores. Guilherme Coelho, presidente da Abrafrutas, ressalta que a eliminação de tarifas entre 8% e 14% favorecerá a competitividade brasileira no mercado europeu, principal destino das exportações de uvas do Vale do São Francisco. Atualmente, cerca de 70% das 55 mil toneladas exportadas entre janeiro e novembro de 2025 foram destinadas à União Europeia, superando os Estados Unidos, que enfrentam tarifas elevadas.
A busca contínua por inovação e qualidade na viticultura pernambucana
Os produtores pernambucanos, cientes da importância da inovação constante, realizam visitas periódicas às regiões de referência mundial em genética de uvas, como a Califórnia, para atualizar suas técnicas e conhecer novas variedades. Essa troca tecnológica com grandes empresas internacionais mantém a viticultura local alinhada às demandas globais e fortalece o posicionamento do Vale do São Francisco como um polo de produção de uvas de mesa exóticas e de alta qualidade.
Fonte: www1.folha.uol.com.br










