A Universidade Federal de Sergipe (UFS), outrora um farol de excelência em ensino e pesquisa no Nordeste, enfrenta um período turbulento. Recentemente, a comunidade acadêmica foi surpreendida com a notícia de que a instituição não receberá a emenda de bancada dos parlamentares sergipanos, uma fonte de recursos garantida por mais de uma década.
Além disso, a UFS, agora sob a gestão do reitor André Maurício Conceição de Souza e da vice-reitora Silvana Aparecida Bretas, é a única universidade nordestina excluída da Chamada Pública CNPq nº 12/2025 do Programa Institucional de Bolsas de Pós-Graduação (PIBPG) para o ciclo de 2026. Esse revés representa um duro golpe para a instituição, que sempre se destacou na captação de recursos em editais nacionais.
De acordo com a Portaria CNPq nº 2.080/2024, o PIBPG desempenha um papel crucial na formação de pesquisadores no país. A exclusão da UFS implica uma perda anual de R$ 882 mil em bolsas de mestrado e R$ 446,4 mil em bolsas de doutorado, totalizando um prejuízo de R$ 1,33 milhão por ano, ou R$ 5,3 milhões em um ciclo de quatro anos.
O impacto da falta de bolsas vai além do aspecto financeiro. Muitos estudantes, sem outras fontes de renda, podem ser forçados a abandonar a pós-graduação. Essa situação ameaça a atratividade dos 50 programas de pós-graduação da UFS, colocando em risco a continuidade das pesquisas e impactando negativamente as avaliações nacionais.
Enquanto outras universidades nordestinas comemoram a aprovação no PIBPG, a UFS se encontra isolada, levantando questionamentos sobre falhas institucionais que poderiam ter sido evitadas. A UNIT, por exemplo, demonstrou competência e foi a única instituição sergipana contemplada.
A ausência da emenda parlamentar também agrava a situação. Marcos Cardoso, jornalista e autor, destaca que “as emendas dos parlamentares sergipanos em Brasília sempre foram fundamentais para a consolidação dos programas e expansão da Universidade Federal de Sergipe”.
Questionados sobre o ocorrido, ex-reitores da UFS ofereceram diferentes perspectivas. Josué Modesto dos Passos Subrinho, reitor de 2004 a 2012, mencionou “dores da transição” e a “fragilidade do corpo técnico”. Angelo Antoniolli (2012 a 2020) atribuiu a falha à “inexperiência do pró-reitor”. Valter Joviniano de Santana Filho (2021 a 2025) lamentou o resultado. A redação tentou contato com José Fernandes de Lima, reitor de 1996 a 2004, mas não obteve resposta.
A situação exige uma reflexão profunda sobre a gestão da UFS e a necessidade de fortalecer o diálogo com os parlamentares e o governo federal. O futuro da instituição, que abriga alguns dos melhores cientistas do mundo, está em jogo. A UFS precisa ser levada a sério, como um patrimônio de todos os sergipanos.
Fonte: http://infonet.com.br










